Disputa de posse e abandono de rebanho geram impasse sanitário e policial em fazenda de Mato Grosso do Sul
- porRedação
- 19 de Agosto / 2026
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| Créditos: Foto: Reprodução/Correio do Estado
Um impasse envolvendo a posse de uma propriedade rural em Corumbá culminou no registro de boletim de ocorrência sobre o suposto abandono de centenas de cabeças de gado. Cerca de 420 bovinos estão mantidos em um espaço restrito de 24 hectares na Fazenda Vai Quem Quer, enfrentando escassez de alimento e água devido à alta densidade populacional no local e ao período de estiagem na região do Pantanal.
A situação teve início após a formalização da transferência da posse da terra ao atual proprietário, Ricardo Pereira Cavassa, no final de junho. Ao assumir a área, o produtor identificou a presença contínua do lote pertencente ao antigo ocupante, Vilmar Silveira. Foi firmado um termo de cooperação para a remoção gradual do rebanho em até 30 dias. Contudo, vencido o prazo, a retirada não foi efetuada, e os responsáveis teriam sinalizado que só recolheriam os animais mediante notificação judicial.
A fiscalização constatou ainda inconsistências na identificação dos bovinos: parte dos animais apresenta marcas borradas ou ausência de identificação, enquanto cerca de 43 cabeças pertencem a propriedades vizinhas, o que levantou a hipótese de abate irregular ou abigeato. Somando o lote em espaço restrito a cerca de 200 animais mantidos em áreas de pastagem adjacentes, estima-se que aproximadamente 600 cabeças de gado estejam na propriedade sem autorização formal do novo dono.
Diante do risco de desnutrição e mortalidade do rebanho, órgãos de fiscalização e defesa ambiental — incluindo a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), a Polícia Militar Ambiental (PMA), a Polícia Rural e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) — foram acionados para averiguar a situação e adotar as providências cabíveis.
Contexto jurídico da propriedade
A Fazenda Vai Quem Quer esteve no centro de investigações no âmbito da Operação Ultima Ratio, deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de irregularidades no Judiciário estadual. A posse do imóvel, avaliado em cerca de R$ 15 milhões e com extensão de 5,9 mil hectares, era objeto de disputa judicial decorrente de alegações de fraude imobiliária na negociação original. Após tramitação nas instâncias superiores, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a anulação de acórdãos anteriores, restabelecendo a titularidade da propriedade ao atual proprietário.






