Dependência das rodovias pressiona custos e reforça debate sobre expansão das ferrovias no Brasil
- porRedação
- 31 de Julho / 2026
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| Créditos: Reprodução/R7
A predominância do transporte rodoviário continua sendo um dos principais desafios da logística brasileira. Embora as ferrovias tenham capacidade para movimentar grandes volumes de cargas com maior eficiência em longas distâncias, a participação dos trilhos ainda é limitada no país, aumentando custos e reduzindo a competitividade da produção.
Atualmente, o transporte rodoviário representa cerca de 70% da matriz brasileira, enquanto o ferroviário responde por aproximadamente 21%. Hidrovias e transporte aéreo têm participação inferior a 2%. O cenário revela uma forte concentração da infraestrutura de cargas nas estradas.
A malha ferroviária federal concedida possui 18.232 quilômetros em operação, o equivalente a 59% do total. Outros 12.320 quilômetros permanecem fora de funcionamento. Para especialistas, a baixa utilização dos trilhos dificulta a integração entre regiões produtoras, centros consumidores e áreas de exportação.
Impacto na economia
O transporte ferroviário é apontado como alternativa para reduzir despesas logísticas, especialmente no deslocamento de soja, milho, minério e outros produtos em grandes quantidades. Nas rodovias, os custos incluem combustível, pedágios, manutenção dos veículos e maior exposição a acidentes e roubos.
Além da questão econômica, a expansão dos trilhos pode contribuir para diminuir a circulação de caminhões e as emissões de gases de efeito estufa. Estimativas citadas no estudo indicam que um aumento de apenas 1% na participação ferroviária pode representar a redução de cerca de 2 milhões de toneladas de CO₂.
Os efeitos também aparecem nas cidades atendidas pelas ferrovias. Em Rio Verde, em Goiás, um terminal ferroviário tem capacidade para movimentar até 11 milhões de toneladas por ano e esteve associado à geração de aproximadamente 1.200 empregos diretos e indiretos durante sua construção. Em Palmeiras de Goiás, a presença dos trilhos também contribuiu para viabilizar novos investimentos ligados ao processamento de soja.
No Tocantins, produtores relatam que a chegada da ferrovia ajudou a ampliar o escoamento da produção, estimular novos negócios e valorizar áreas próximas à infraestrutura ferroviária.
Segurança e meio ambiente
Outro ponto destacado é a diferença nos índices de acidentes. Em 2025, foram registradas 89 mortes em acidentes ferroviários no país, enquanto as rodovias contabilizaram 6.040 vítimas fatais, segundo os números apresentados no levantamento.
A eficiência energética também favorece os trilhos. Uma composição ferroviária com 100 vagões pode substituir aproximadamente 200 caminhões em determinadas operações. O levantamento aponta ainda que o modal rodoviário responde por cerca de 69% das emissões de gases do setor de transporte de cargas, enquanto o ferroviário representa 16%.
Investimentos ainda são desiguais
Apesar do avanço recente dos aportes, a expansão ferroviária ocorre em ritmo considerado insuficiente. Entre 2021 e 2024, os investimentos no setor cresceram R$ 3,76 bilhões em termos reais, uma alta de 62%, considerando recursos públicos e privados.
Ao mesmo tempo, os investimentos públicos em ferrovias caíram pela metade entre 2019 e 2024. Já nas rodovias, os recursos públicos passaram de R$ 6,61 bilhões para R$ 13,47 bilhões no mesmo intervalo, crescimento de 103,7%.
Projeções citadas no levantamento indicam que os investimentos das concessionárias ferroviárias chegaram a R$ 19,6 bilhões em 2025 e podem alcançar R$ 19,9 bilhões em 2026.
Integração é um dos principais obstáculos
Para especialistas, não basta construir novas linhas. O Brasil também precisa integrar os diferentes meios de transporte, reduzir entraves burocráticos e melhorar a conexão entre ferrovias, rodovias e terminais de carga.
Um dos problemas está justamente nos chamados trechos de ligação. Em determinadas regiões, o produtor precisa percorrer centenas de quilômetros de caminhão antes de alcançar uma linha ferroviária, o que pode tornar mais vantajoso manter toda a viagem pelas estradas.
O setor também enfrenta dificuldades relacionadas à tributação, automação, escala de operação e instabilidade da demanda.
Meta para mudar a matriz
O Plano Nacional de Logística 2035 prevê a implantação de aproximadamente 12.500 quilômetros de novas ferrovias, com investimentos estimados em R$ 341 bilhões. A projeção é elevar a participação ferroviária de 21% para 28% e reduzir a emissão de poluentes em cerca de 10,9 milhões de toneladas por ano.
Outro cenário estudado prevê uma transformação ainda maior: os trens poderiam chegar a 33,8% do transporte de cargas, enquanto a participação das rodovias cairia para 49,1%. No setor agrícola, a ferrovia poderia responder por mais da metade do transporte da produção.
O desafio, portanto, não está em abandonar as rodovias, mas em equilibrar a matriz de transportes. A combinação entre caminhões, trens e hidrovias é apontada como uma alternativa para reduzir custos, aumentar a eficiência logística e melhorar a competitividade brasileira.
Fonte: R7






