Hiperdia aproxima cuidado de pacientes com hipertensão e diabetes


Na rotina de quem convive com hipertensão ou diabetes, manter o acompanhamento em dia é parte essencial do cuidado. Mais do que controlar indicadores de saúde, a atenção contínua permite identificar alterações, orientar mudanças de hábitos e agir antes que um problema se agrave. É esse cuidado próximo que o Programa Hiperdia busca fortalecer nas unidades de saúde de Campo Grande.

Na USF Aero Itália, os encontros são realizados semanalmente e integram a rotina de acompanhamento dos pacientes. Durante as atividades, são realizados procedimentos como aferição da pressão arterial, avaliação de exames, renovação de receitas e orientações relacionadas ao controle das doenças crônicas.

Para o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, esse acompanhamento representa uma das bases do trabalho realizado na atenção primária.

“Quem conhece o SUS sabe que muita coisa pode ser evitada quando a gente consegue acompanhar o paciente de perto. Não é só aferir a pressão ou renovar uma receita. É conhecer aquela pessoa, saber como ela está, olhar os exames, perceber quando alguma coisa mudou e orientar no momento certo. Esse vínculo com a equipe faz muita diferença, principalmente para quem convive com uma doença crônica”, afirma.

Na rede municipal de saúde de Campo Grande, o Hiperdia vem sendo realizado de forma contínua. Entre janeiro e agosto deste ano, foram registrados 7.941 atendimentos em grupos do programa, que reuniram 97.212 participantes nas atividades coletivas. Os dados são do e-SUS, a partir do Relatório de Atividades Coletivas.

A aposentada Serafina Ortiz, de 82 anos, esteve na unidade na semana passada para medir a pressão e agendar o retorno com o médico. Moradora da região, ela elogia o atendimento recebido. “Com certeza, agradeço a Deus por a gente ter esse médico aqui. É muito bom. O atendimento é maravilhoso.”

A rotina de cuidado também faz parte do dia a dia de Nelson Montovani, de 73 anos. Morador da região do Jardim Aeroporto, ele chegou cedo à unidade para verificar a pressão, que estava um pouco elevada.

“Eu vim ver a pressão, que está um pouco alta, mas está tudo bem, graças a Deus”, contou.

Para ele, manter o acompanhamento é fundamental. “A saúde é importante em primeiro lugar, então a gente tem que se cuidar, sim, tem que vir sempre que pode.” O aposentado também avalia que, mesmo com o movimento intenso na unidade, o atendimento é ágil e a equipe presta um bom serviço.

“Essa troca com os pacientes vai muito além da renovação de receitas. É um momento educativo, em que a gente fala sobre temas específicos de hipertensão ou diabetes e constrói essa educação em saúde, tanto no consultório quanto nos espaços da unidade”, explicou o enfermeiro residente Felipe Moura, que atua na USF Aero Itália

Os encontros são organizados semanalmente pelas equipes, ampliando o acesso dos pacientes às ações de acompanhamento. Além das consultas e do uso regular dos medicamentos, os profissionais acompanham exames laboratoriais, a periodicidade das consultas e a evolução de cada paciente.

“É importante manter o contato, ver como estão os exames, qual é a periodicidade desses pacientes nas consultas de rotina e, principalmente, ter essa troca do profissional com os pacientes”, destaca Felipe.

Na USF Sírio Libanês, a gerente Maira Mommad explica que iniciativas como essa integram as ações desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para fortalecer o vínculo entre as equipes e a comunidade.

“Geralmente, às quintas-feiras, temos um grupo de atividades físicas voltado para os idosos, a partir das 7h, com o educador físico coordenando. Em seguida, fazemos a troca de receitas. É muito bom, eles adoram, é um sucesso”, contou.

Manter a pressão arterial e a glicemia sob controle pode parecer uma medida simples, mas o acompanhamento regular ajuda a reduzir o risco de complicações relacionadas à hipertensão e ao diabetes, como AVC, infarto e agravamento da própria doença. Também contribui para que situações que podem ser acompanhadas na atenção primária não evoluam para atendimentos de urgência.

Para os pacientes que convivem com hipertensão ou diabetes e ainda não participam do acompanhamento, a orientação é procurar a unidade de saúde de referência e verificar as atividades disponíveis.

Compartilhe: