Crise financeira no Paraguai: Partido Colorado retira apoio e vota pelo impeachment do presidente Santiago Peña
- porRedação
- 05 de Novembro / 2026
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ASSUNÇÃO — O cenário político paraguaio sofreu uma forte reviravolta nesta quinta-feira (05). O governista Partido Colorado (Associação Nacional Republicana - ANR) decidiu retirar publicamente o suporte ao presidente Santiago Peña e aderir ao pedido de impeachment contra o chefe do Executivo, aprofundando o isolamento do governante.
O estopim para a perda de sustentação política foi a derrocada do Ueno Bank, instituição financeira cujos ex-sócios possuem vínculos diretos com o mandatário. O colapso financeiro levou o Banco Central do país a intervir, suspendendo operações e bloqueando saques. Estima-se que a entidade administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo aproximados US$ 380 milhões pertencentes à previdência estatal. O escândalo gerou forte comoção social, manifestações nas ruas da capital e a prisão preventivas de oito empresários e diretores envolvidos.
O anúncio da ruptura partiu do ex-mandatário e atual presidente da sigla, Horacio Cartes. Em pronunciamento oficial, o líder partidário declarou que o grupo não compactuará com a má gestão e o desvio de recursos públicos e privados, destacando a importância de preservar a estabilidade democrática do país.
Seguindo essa orientação, a bancada ANR "A" na Câmara dos Deputados — composta por 35 parlamentares — confirmou apoio à abertura do processo constitucional. A adesão massiva dos governistas praticamente consolida o quórum necessário na Câmara Alta (dois terços dos votos) para enviar a denúncia formal ao Senado, órgão responsável pelo eventual julgamento e destituição.
Articulações para a transição já estão em andamento. Cartes esteve reunido com o vice-presidente Pedro Alliana que, de acordo com o ordenamento constitucional paraguaio, é o substituto imediato no comando da nação caso ocorra a cassação do mandato. O atual presidente da Câmara, Raúl Latorre, declarou que Peña nega as irregularidades e pretende se defender perante as acusações no Congresso.






