Crise financeira da Santa Casa leva MPMS a reforçar medidas para garantir atendimento pelo SUS
- porRedação
- 03 de Setembro / 2026
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| Créditos: Foto: Rafael Bemjamim/PMCG
A situação financeira e operacional da Santa Casa de Campo Grande voltou a mobilizar órgãos públicos diante do risco de comprometimento dos serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) intensificou a atuação judicial e as negociações com representantes do hospital e dos governos estadual e municipal para evitar a interrupção de atendimentos essenciais.
A crise envolve dificuldades para manter estoques de medicamentos, materiais hospitalares, gases medicinais e serviços laboratoriais, além de problemas relacionados à realização de procedimentos médicos. Reuniões emergenciais foram realizadas nos dias 24 e 28 de agosto para avaliar os riscos e buscar alternativas que impeçam a descontinuidade da assistência aos pacientes.
O MPMS já havia ingressado, em novembro de 2025, com uma ação civil pública envolvendo a Santa Casa, o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande. A medida busca a adoção de um plano conjunto para regularizar os serviços contratados pelo SUS, incluindo o abastecimento de insumos, a organização do pronto-socorro e a manutenção dos atendimentos de média e alta complexidade.
No âmbito das medidas judiciais, foi determinada a apresentação de um plano para a retomada integral dos serviços. A decisão prevê ações para recomposição dos estoques, regularização de procedimentos e reorganização do pronto-socorro. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 100 mil, inicialmente limitada a 30 dias.
Outro ponto relacionado à crise é o equilíbrio financeiro da instituição. Um acordo de R$ 54,1 milhões firmado em dezembro de 2025 possibilitou o pagamento de profissionais que acumulavam mais de seis meses de atrasos contratuais e ajudou a preservar a continuidade dos atendimentos.
A própria Santa Casa sustenta que enfrenta um desequilíbrio econômico-financeiro histórico e reivindica a revisão dos valores pagos pelos serviços prestados ao SUS. A instituição também afirma que a discussão sobre a remuneração está sendo tratada judicialmente.
Enquanto as negociações prosseguem, o MPMS afirma que continuará acompanhando a situação para reduzir o risco de desassistência e garantir que os pacientes que dependem da rede pública tenham acesso aos serviços hospitalares.
Contexto atual: a Santa Casa também convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para 14 de setembro, quando os associados deverão discutir a proposta de contratualização apresentada pelas secretarias estadual e municipal de Saúde, considerada pela instituição inviável para a manutenção dos serviços nos termos apresentados.






