Como 1 tonelada de lixo espacial cai na Terra toda semana e preocupa cientistas
- porR7
- 03 de Agosto / 2026
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Aumento no número de detritos está diretamente relacionado à expansão da atividade fora da Terra | Créditos: Reprodução/Nasa
Em dezembro, moradores da vila de Mukuku, no Quênia, registraram a queda de um anel metálico de centenas de quilos que foi identificado como parte de um foguete francês em órbita há 16 anos. O impacto provocou um estrondo e causou rachaduras em casas da região, o que exemplifica o retorno de lixo espacial à Terra com a expansão de lançamentos por governos e empresas privadas, segundo reportagem do The New York Times.
Embora a maioria dos objetos seja destruída pelo calor do atrito na reentrada, fragmentos têm atingido o solo em locais como Flórida, Polônia e Canadá. Dados da Força Espacial dos Estados Unidos mostram que os alertas sobre objetos entrando na atmosfera subiram de 110 em 2015 para quase 820 em 2025. Um estudo para a Administração Federal de Aviação estima que, até 2035, destroços de satélites poderão causar ferimentos ou mortes a cada dois anos.
Segundo Mariusz Slonina, chefe das operações de monitoramento da situação espacial da Agência Espacial Polonesa, em entrevista ao jornal americano, objetos enormes, pesando uma tonelada ou mais, caem uma vez por semana, aproximadamente.
A previsão do local de impacto apresenta dificuldades técnicas, pois um erro de um minuto na reentrada altera a região de queda em quase 480 quilômetros. A ausência de controle gera tensões em regiões como o Mar do Sul da China, onde 13 peças de foguetes chineses foram encontradas nas Filipinas nos últimos quatro anos, o que levou as autoridades a recomendarem que pescadores evitem certas áreas durante os lançamentos.
A legislação internacional sobre responsabilidade por danos foi criada durante a Guerra Fria e as diretrizes da ONU para reduzir detritos não possuem caráter obrigatório. No episódio do Quênia, afirma o NYT, a identificação da origem da peça levou meses e o governo local ainda não enviou pedidos de indenização à França, o que demonstra a complexidade na aplicação de medidas de reparação financeira.
Incidentes recentes mostram que as previsões das empresas sobre a desintegração dos equipamentos nem sempre se confirmam na prática. A SpaceX afirmou que seus satélites seriam totalmente destruídos, mas fragmentos foram localizados em uma fazenda no Canadá e perto de um shopping na Polônia. Atualmente, a companhia informa que 5% da massa de alguns de seus equipamentos pode não se desintegrar completamente.
Propostas para o estabelecimento de regras para o descarte de equipamentos em órbita sofrem resistência da indústria espacial, como ocorreu com medidas da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos retiradas em janeiro. Especialistas ouvidos pelo NYT recomendam a obrigatoriedade do uso de materiais que garantam a desintegração total na atmosfera para mitigar os riscos à população em solo.






