Com 4 cirurgias simultâneas entre 3 países, Hospital Cassems integra projeto inédito de robótica
- porRedação
- 19 de Junho / 2026
- Leitura: em 8 segundos

| Créditos: Divulgação/Cassems
Com 4 cirurgias simultâneas entre 3 países, Hospital Cassems integra projeto inédito de robótica
Líder em volume de procedimentos na região, hospital em Campo Grande operou com o robô Toumai conectado ao Panamá, Chile e Porto Alegre com transmissão ao vivo instantânea.
O Hospital Cassems, em Campo Grande, se tornou o epicentro de uma operação médica inédita no mundo nesta quinta-feira, 18 de junho. A instituição foi a única selecionada em toda a região Centro-Oeste para integrar um projeto de medicina digital que interligou, simultaneamente e em tempo real, quatro cirurgias robóticas complexas em três países: Brasil (Campo Grande e Porto Alegre), Panamá (Cidade do Panamá) e Chile (Santiago).
O mesmo procedimento de alta precisão — a correção de hérnia inguinal — foi realizado de forma síncrona em todas as quatro salas cirúrgicas do circuito internacional. Toda a operação integrada, do início ao fim, durou cerca de 1h30 e foi concluída com absoluto sucesso.
No comando dos robôs, quatro equipes médicas distintas atuaram ao mesmo tempo integradas em uma rede de mentoria digital, intitulada teleproctoria. A operação global foi coordenada por Eduardo Parra-Davila, renomado cirurgião geral e colorretal robótico e referência mundial, que acompanhou as telas direto de uma central em São Paulo. Em uma dinâmica inédita de troca de conhecimentos, a tecnologia permitiu que todos os cirurgiões da rede, incluindo Parra-Davila, pudessem intervir e assumir a orientação técnica de qualquer um dos procedimentos caso fossem solicitados pelas equipes locais.
A Cassems foi escolhida como hub do Centro-Oeste por sua experiência pioneira e volume de atuação. O procedimento na capital sul-mato-grossense foi executado pelo cirurgião César Conte, com o suporte presencial do proctor Bruno da Rosa e do médico auxiliar James Câmara..
O protagonismo de Mato Grosso do Sul no cenário nacional foi detalhado por Bruno da Rosa, que atuou na supervisão direta dentro de sala. “O motivo da escolha de Mato Grosso do Sul para fazer essa cirurgia, que integra dois países e mais uma região brasileira, é porque o estado hoje é o centro que faz mais cirurgias robóticas, exceto São Paulo, para a plataforma robótica do Toumai. Com toda essa nossa experiência, estamos prontos para dividir conhecimento com todas as outras regiões. A interação entre as equipes soma conhecimento e a dinâmica da cirurgia robótica vai ser muito acelerada a partir de agora”, pontuou Rosa.
Para o cirurgião César Conte, o projeto rompeu as fronteiras do estado por meio da colaboração médica em tempo real: “Estar fora do principal eixo do país e oferecer para Mato Grosso do Sul algo inédito desse porte mostra a medicina de ponta que ofertamos. A possibilidade de o cirurgião ter ajuda imediata em um procedimento complexo por pessoas extremamente habilitadas em outros países faz com que a gente dê um passo histórico. É a tecnologia garantindo menor dor e recuperação muito mais rápida para o retorno da paciente para casa.”
Validação internacional e segurança máxima

| Créditos: Divulgação
O ineditismo de conectar múltiplos continentes em uma única operação síncrona foi chancelado pelo mentor do projeto. Diretamente da central de comando, o Dr. Eduardo Parra-Davila destacou a escolha estratégica do país e a robustez da engenharia envolvida.
“O Brasil é o país perfeito para a demonstração desta tecnologia devido à sua grande extensão territorial. Realizar cirurgia remota multiponto é outro nível, exige muito mais segurança e conexões. Com essa rede, estamos levando a experiência e o expertise de um cirurgião de ponta a uma zona geográfica que, de outra forma, não teria acesso. O paciente é o nosso foco e merece uma medicina de alta qualidade”, ressaltou Parra-Davila.
Diante da complexidade de uma rede intercontinental, a segurança da paciente permaneceu blindada em camadas. Além de uma força-tarefa da equipe de TI da Cassems, que criou uma rodovia digital dedicada interligando o robô Toumai direto ao switch central do hospital com redundância de dados e energia, Rosa assegurou que o protocolo ético e assistencial foi completo. “O nível de segurança está evoluindo a passos largos para os pacientes. O formato oferece a melhor proteção possível reunindo os proctors (médicos mentores) locais, a equipe in loco, a melhor conexão de internet e as proctorias à distância com especialistas mundiais.”
Além de beneficiar a paciente na mesa cirúrgica, a transmissão alimentou o auditório do hospital, que se transformou em uma sala de aula global para residentes e estudantes de medicina. De acordo com a equipe médica, o projeto abre as portas do futuro para a nova geração de profissionais da região. “Trazer residentes para dentro e mostrar a aplicação prática dessa tecnologia é abrir horizontes para médicos que, muitas vezes, ficavam restritos a contextos locais. A partir do momento que o jovem médico vê que se pode guiar e operar em alta complexidade conectado a outro país, a janela de conhecimentos dele se amplia por completo”, finalizou Rosa.






