Celso Bejarano morre aos 50 anos e deixa legado de jornalismo investigativo combativo em MS

Morreu na madrugada desta quarta-feira (4), em Campo Grande, o jornalista Celso Bejarano Junior, referência no jornalismo investigativo em Mato Grosso do Sul. Ele tinha insuficiência cardíaca, passou por cirurgia recentemente, mas não resistiu. A morte ocorreu por volta de 1h10, no Hospital da Cassems.

Um dos mais importantes jornalistas investigativos do país, Rubens Valente, atualmente na Agencia Publica, iniciou a carreira ao lado de Celso, no extinto Diário da Serra, no início dos anos 1990. Segundo ele, Celso construiu uma trajetória marcada por um jornalismo combativo, crítico, ético e incorruptível.

“Ele sempre executou essa linha investigativa, de olhar criticamente a Polícia de Mato Grosso do Sul. Procurava fazer uma cobertura com senso crítico, não embarcando nas versões oficiais”, relembra Valente. Em uma ocasião, agentes da Polícia Civil chegaram a entrar na redação do jornal para intimá-lo. “Não havia absolutamente nada de concreto contra o Celso, era uma forma de intimidação ao trabalho dele.”

Jornalismo que incomodava

Valente recorda um episódio que simboliza o perfil investigativo do colega. No início da carreira, Celso conseguiu localizar a motocicleta utilizada em um homicídio ocorrido no Centro da Capital antes mesmo da polícia. “Foi um dos orgulhos dele. Um trabalho de campo impressionante”, afirmou.

Ao longo da trajetória, Celso manteve postura firme diante de pressões políticas e econômicas. Para Rubens, o amigo sempre esteve indignado com casos de corrupção e violência policial no Estado. “Ele viveu de forma humilde, tentando manter a família, mas jamais abriu mão dos valores que guiavam seu trabalho.”

Trajetória profissional

Celso Bejarano começou no Diário da Serra e passou por redações como o Correio do Estado. Atuou como correspondente da Folha de S.Paulo em Mato Grosso do Sul, levando pautas do Estado e da região Centro-Oeste para o cenário nacional, além de colaborar com o UOL. Nos últimos anos, era repórter do Jornal Midiamax.

Também integrou a Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Grosso do Sul, reforçando o compromisso com a profissão.

Para Rubens Valente, Celso deixa um legado às novas gerações. “Ele deixa para os jovens jornalistas uma grande missão e um exemplo de profissional consciente do seu papel na sociedade.”

Celso deixa três filhos, além de familiares, amigos e colegas de profissão.

Velório e sepultamento

O velório ocorre a partir do meio-dia desta quarta-feira (4), na capela do Cemitério Jardim das Palmeiras, na Avenida Tamandaré, 6.934, no Jardim Seminário, em Campo Grande. O sepultamento está marcado para as 9h desta quinta-feira (5).

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