“Cadeiras Vazias e Palanque Morno”

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Na política de Mato Grosso do Sul, a segunda-feira costuma começar com o ritmo lento de quem ainda saboreia o tereré do fim de semana. Mas esta, em especial, acordou sob o burburinho de um palco montado e holofotes acesos. Era para ser o grande pontapé inicial da corrida ao Parque dos Poderes, o momento em que os projetos de estado se chocariam e a população ajustaria os seus ponteiros eleitorais. No entanto, o que se viu nos bastidores e nas calçadas de Campo Grande foi um certo banho de água fria.

Os politiqueiros de plantão, aqueles que vivem da intriga nos bastidores e do comentário inflamado nas esquinas, não se entusiasmaram tanto assim. A chiadeira começou cedo, impulsionada pelos ponteiros do relógio: transmitir um debate de candidatos ao Governo em pleno horário comercial, numa manhã de segunda-feira, soar quase como um convite ao desinteresse. Entre uma planilha de trabalho e um atendimento no comércio, poucos foram os cidadãos comuns que conseguiram parar para acompanhar a transmissão.

Para somar ao desânimo da claque, a cena principal do anfiteatro ostentava um vácuo incômodo. Eduardo Riedel não veio. E, como no teatro do absurdo, a figura do ausente tornou-se, ironicamente, o personagem mais citado da peça.

Sem o atual governador na mira das perguntas diretas, os sete postulantes presentes viraram-se para o fantasma do poder. Riedel e seu padrinho, Reinaldo Azambuja, dividiram as atenções da bancada de opositores. O fantasma do “azambujismo” ganhou corpo na voz de Delcídio do Amaral, enquanto Fábio Trad vinculava as mazelas da saúde e da educação à mesma engrenagem governista. Houve quem resgatasse bloqueios judiciais e velhas feridas, transformando a arena política em um tribunal de memórias e passados revirados.

Enquanto a munição era gasta contra quem não estava lá para responder, o futuro do estado acabou ficando em segundo plano. As propostas surgiram em espasmos modestos — um prontuário digital aqui na fala de João Henrique Catan, uma promessa de corte de impostos ali com Renato Gomes, ideias sobre a Santa Casa e a Sanesul, acenos ao governo federal e discursos ideológicos espalhados entre PCO, PSOL e Agir. Ideias nobres, sem dúvida, mas eclipsadas pelo eco da cadeira vaga.

O primeiro debate de 2026 abriu as portas da temporada eleitoral deixando um sabor morno. Ficou a sensação de que o jogo de verdade ainda não começou. Resta saber se, nos próximos encontros — em horários mais generosos e, quem sabe, com a mesa completa —, o eleitor sul-mato-grossense finalmente assistirá a um debate de propostas reais, e não apenas a um editorial de ausências e queixas no meio do expediente.

Por Alcina Reis

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