Brasil lança programa “Crescer em Paz” para enfrentar violência contra crianças e adolescentes

| Créditos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


O Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou nesta quinta-feira (10) o programa Crescer em Paz, voltado à proteção de crianças e adolescentes. A proposta integra segurança pública, proteção social e justiça, com foco na prevenção da violência e promoção de direitos.

Durante o lançamento, o ministro Ricardo Lewandowski ressaltou a importância de ouvir e envolver crianças e adolescentes nas políticas públicas. “Tenho certeza que esse programa terá sucesso e que atingirá os objetivos”, afirmou.

Inspirado em estratégia da ONU, o Brasil é o primeiro país a adotar oficialmente o modelo global de enfrentamento da violência contra esse público. São previstas 45 ações prioritárias e um investimento inicial de R$ 82 milhões.

A coordenadora do UNODC no Brasil, Alessandra Martins, destacou que o programa baseia-se em evidências e experiências internacionais. “Foram adaptadas com sensibilidade ao contexto brasileiro”, afirmou. Segundo ela, a proposta busca interromper ciclos de exclusão, enfrentar causas estruturais da violência e oferecer proteção efetiva.

Dados apresentados durante o evento revelam a gravidade do cenário: 15% das vítimas de homicídios intencionais no mundo em 2023 tinham menos de 18 anos. No Brasil, entre 2021 e 2023, mais de 15 mil crianças e adolescentes morreram de forma violenta, a maioria meninos negros.

A chefe de Proteção de Crianças e Adolescentes do UNICEF no Brasil, Sónia Polónio, defendeu ações integradas como a criação de centros de atendimento para vítimas e testemunhas de violência. A secretária nacional de Políticas sobre Drogas, Marta Machado, também apontou resultados positivos, como a redução de bullying nas escolas e menor exposição das crianças ao consumo de álcool por responsáveis.

A representante especial da ONU, Najat Maala, reforçou a importância da articulação entre justiça e demais setores. O evento contou ainda com a participação do jovem Raul Zainedin Rocha, representante do Conanda, que defendeu a superação de visões adultocêntricas e a efetiva inclusão de crianças nas decisões.

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