Após repercussão negativa, prefeito de Ivinhema rasga projeto que previa reajuste de 34% no próprio salário

O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PSDB), publicou um vídeo nas redes sociais, nesta sexta-feira (23), em que aparece rasgando o projeto de lei que previa a recomposição salarial do chefe do Executivo municipal, da vice-prefeita, secretários e chefes de gabinete. A proposta havia sido encaminhada pelo próprio prefeito à Câmara Municipal no último dia 19 de janeiro.

O projeto previa um reajuste de 34% nos salários, o que elevaria a remuneração do prefeito de R$ 19 mil para R$ 26.683,30. A Câmara chegou a agendar uma sessão extraordinária para votação da matéria em regime de urgência, mas a reunião foi adiada. A tramitação do projeto gerou críticas, principalmente pelo fato de o município enfrentar dificuldades financeiras e adotar medidas de contenção de gastos desde o ano passado.

No vídeo divulgado, Juliano Ferro afirmou que a decisão de retirar o projeto foi motivada pela forte repercussão negativa. Ele classificou o reajuste como um “direito”, mas responsabilizou a imprensa pela reação contrária ao aumento. “É muito barulho, então eu estou rasgando esse projeto. Já trabalhei quatro anos ganhando R$ 19 mil, e não é esse valor que vai me deixar mais pobre ou mais rico. O que não vou ficar aguentando é vag*bu*do com nome meu na boca. Agora eu que não quero mais aumento”, declarou.

O prefeito também afirmou considerar o salário atual injusto, mas garantiu que seguirá o restante do mandato sem alteração na remuneração. “Quero agradecer a Câmara de Vereadores, mas nós vamos trabalhar o resto desse mandato com esse salário, que para mim é injusto”, disse.

Durante a gravação, Ferro reforçou que a prioridade de sua gestão é a valorização dos servidores públicos municipais. Segundo ele, em 16 anos, o município concedeu apenas 16% de reajuste ao funcionalismo, enquanto em seu quinto mandato os aumentos já teriam ultrapassado 40%. “Mesmo ganhando pouco vou trabalhar dobrado”, concluiu.

A retirada do projeto encerra, ao menos por ora, a discussão sobre o reajuste salarial do alto escalão do Executivo municipal.
 

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