Advogada é apontada pelo GAECO como articuladora de servidores públicos para facção no MS

| Créditos: Divulgação


Uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que culminou na Operação Blindagem, apontou que a advogada Aline Gabriela Brandão, já presa, e seu marido, Thiago Gabriel Martins da Silva, conhecido como o 'Especialista do PCC', atuavam no setor de inteligência da facção criminosa, cooptando servidores públicos.

O objetivo do casal era recrutar agentes para realizar atividades ilícitas, como viabilizar a transferência de presos conforme o interesse do grupo e obter dados sigilosos sobre indivíduos. Tais "serviços" eram executados mediante pagamentos indevidos, sendo que a investigação já identificou repasses de valores a um policial penal para a movimentação de um detento.

Envolvimento Militar

Além de agentes penitenciários, um tenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) é suspeito de manter laços com a advogada. O militar foi alvo de mandado de busca e apreensão. O Gaeco considerou "estranha" uma visita feita pelo oficial ao presídio no Rio Grande do Norte, onde Aline Gabriela estava detida, cerca de um mês após sua prisão, sob a justificativa de realizar orações com os presos e conhecer o local.

O oficial da PMMS, que já trabalhou na região de Corumbá (onde há suspeita de que Thiago Gabriel esteja escondido), também está sob escrutínio devido a outras movimentações atípicas registradas no presídio após a chegada da advogada, incluindo tentativas de entrega de comida por delivery e sobrevoos de drone.

A Operação e as Respostas Institucionais

A Operação Blindagem, que ocorre após a Operação Chiusura (que prendeu o casal em março), visa desarticular uma organização criminosa que, sob a liderança de Kleyton de Souza Silva (preso), está envolvida em tráfico interestadual de entorpecentes, corrupção ativa e passiva, usura, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de capitais. A rede de colaboradores se estende por diversas cidades de Mato Grosso do Sul e outros estados.

A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) confirmou as buscas contra o tenente e informou ter instaurado um procedimento administrativo disciplinar para apuração dos fatos.

A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) declarou que a operação não mira servidores em exercício em unidades penais do estado, mas também abriu um procedimento administrativo e reforçou que repudia práticas de corrupção.

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB/MS), por sua vez, garantiu que a Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados acompanha o caso e irá adotar as medidas legais e disciplinares cabíveis, respeitando o direito à ampla defesa da advogada.

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