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O prefeito de Antônio João decidiu, em sua sabedoria, cortar pela raiz uma tradição que coloria as escolas durante a Semana da Criança: o "Cabelo Maluco". O decreto, anunciado com a solenidade de quem anuncia uma medida de austeridade fiscal, classifica a brincadeira como algo que "não agrega" ao aprendizado.
Segundo o gestor, a atividade gera custos, esforço para as famílias e, pasmem, uma perigosa "competitividade".
É de se questionar: por que a via da proibição? Por que não simplesmente deixar livre para que mães, pais e crianças decidam, democraticamente, participar ou não? A proibição absoluta é um ato de autoritarismo disfarçado de zelo, que suprime uma escolha lúdica e voluntária.
Lutamos constantemente para que nossas crianças deixem a adultização precoce e vivam a inocência da sua idade. O "Cabelo Maluco" é justamente um respiro nesse sentido: uma brincadeira inofensiva, de cunho totalmente infantil, que celebra a fantasia e a alegria. O fato de gerar uma competição saudável só agrega, pois é na simplicidade dessas pequenas disputas que os pequenos começam a aprender a lidar com vitórias, frustrações e desafios – lições fundamentais para a vida.
Mas o que o prefeito parece não ter entendido – ou escolheu ignorar
é que a brincadeira traz sim benefícios profundos, e um deles talvez seja o mais importante: a aproximação das crianças com seus responsáveis. Longe de ser um "esforço" negativo, o momento de criar o penteado maluco juntos torna-se uma rara oportunidade de interação familiar, de colaboração, de estímulo à criatividade e de construção de memórias afetivas que vão muito além de um simples dia na escola. Esse vínculo, sim, é um valor inestimável para o desenvolvimento emocional de qualquer criança.
O prefeito foi profundamente infeliz com seu decreto.
Em vez de podar a alegria e os laços familiares que ela pode fortalecer, deveria ter sido mais democrático, permitindo que a espontaneidade e a vontade das famílias prevalecessem. Afinal, em um mundo com tantas "distorções" reais, como alegou, um cabelo colorido e desengonçado é talvez uma das distorções mais puras, necessárias e cheias de afeto que poderíamos desejar para nossas crianças.
Portanto, em defesa da infância, da criatividade e do direito de escolha das famílias, reafirmamos:
Abaixo o Decreto!
Por Alcina Reis

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