“A Independência e o Limite da Liberdade”
- porAlcina Reis
- 07 de Setembro / 2025
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8 de Janeiro | Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Em Campo Grande, a manhã de 7 de setembro se desdobrará sob um céu de cores misturadas, tal qual o cenário político do país. A data, que já foi unicamente de desfiles cívicos e celebração da Independência, se transformará em um palco onde diferentes visões de Brasil ocuparão o mesmo espaço, lado a lado, em uma dança complexa de ideais e bandeiras.
De um lado, a esquerda se reunirá na Praça do Rádio, com o tradicional Grito dos Excluídos. Faixas pedirão a isenção do Imposto de Renda para rendas mais baixas, a redução da jornada de trabalho e, principalmente, se posicionarão contra a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A pauta será social, será de luta por direitos, e a atmosfera será de união. O som que se ouvirá não será de marchas militares, mas de gritos de ordem por um país mais justo, enquanto a bandeira do Brasil se misturará àquelas de movimentos sindicais e populares.
Do outro lado da Avenida Afonso Pena, a direita se aglomerará. O público vestirá majoritariamente as cores verde e amarelo, e a pauta será a defesa da liberdade e do ex-presidente. A palavra de ordem será a anistia para os presos e investigados, vistos por muitos como vítimas de perseguição política. O clima será de fervor e indignação, com discursos que criticarão o atual governo e o Judiciário. O hino nacional ecoará, mas não em sua versão formal, e sim em um canto de resistência.
No meio desse turbilhão, a cidade tentará seguir seu curso. Haverá quem participe ativamente, quem observe de longe, e quem apenas passará por ali, tentando entender o que se tornou essa data tão simbólica.
Será crucial lembrar que, embora a liberdade de expressão e de manifestação seja um pilar da democracia, o vandalismo e a depredação do patrimônio público e privado não serão tolerados.
Em qualquer manifestação, de qualquer espectro político, o limite para a atuação será o respeito à lei e ao bem-estar coletivo. A punição para atos de violência e destruição será necessária para que a ordem social seja mantida e para que o direito de um não se sobreponha ao de todos. Encerro com a reflexão: em meio às divisões, o desafio de 7 de setembro será encontrar um caminho em que todos possam se expressar, mas que a voz da justiça e do respeito ao próximo seja a mais alta.
Por Alcina Reis






