Vorcaro delatou mesada de R$ 1 milhão em espécie para grupo ligado a Jaques
- porCNN
- 30 de Setembro / 2026
- Leitura: em 7 segundos

Ex-banqueiro Daniel Vorcaro em depoimento à Polícia Federal | Créditos: Reprodução
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou em sua proposta de delação rejeitada pela PF (Polícia Federal) e PGR (Procuradoria-Geral da República) o pagamento mensal de R$ 1 milhão em espécie para aliados do senador Jaques Wagner, do PT, na Bahia.
O valor seria parte de uma engrenagem de propina por meio de um contrato do Master com a PKL One. A empresa é detentora e estruturadora por trás do Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos do estado.
O grupo do ex-líder do governo Lula no Senado também teria recebido vantagens por meio da distribuição de lucros e dividendos e de contratos fictícios feitos por Vorcaro para pessoas indicadas por Wagner, incluindo um com a filha do senador e uma empresa offshore.
Ao todo, Vorcaro relata pagamentos de R$ 3 milhões por mês. O ex-banqueiro, no entanto, afirmou à PF não ter presenciado o acerto. As informações teriam sido repassadas por Augusto Lima, seu ex-sócio.
O Credcesta foi privatizado em 2018, enquanto Jaques Wagner era secretário do Desenvolvimento Econômico na Bahia. De acordo com a proposta de delação, Jaques teria tido participação oculta na operação para direcionar a licitação para uma empresa de Augusto Lima.
Jaques Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado em junho deste ano após ser alvo da Operação Compliance Zero. A investigação aponta que Jaques Wagner teria recebido vantagens econômicas indevidas, direta ou indiretamente, do Master.
Augusto Lima também foi alvo da Compliance Zero e chegou a ser preso preventivamente em novembro do ano passado. O ex-banqueiro ficou 11 dias preso. Foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mas segue monitorado por tornozeleira eletrônica.
Desde então, o empresário teve dois depoimentos desmarcados a pedido da defesa, que alega nunca ter tido acesso aos autos do processo.
Tanto PF quanto PGR rejeitaram a delação do dono do Master sob a alegação de que não foram apresentados elementos suficientes corroboração.
Em nota, a defesa de Jaques Wagner classifica as declarações como "falsas e oportunistas, criadas para interferir nas eleições" e diz que não tem conhecimento sobre contratos "fictícios da PKL One e nunca teve nenhuma relação com essa empresa".
"Além disso, a mentira vem de uma pessoa que está presa, criando factoides na tentativa de ter de volta a sua liberdade. Vale reforçar, ainda, que o senador nunca teve qualquer vínculo com Daniel Vorcaro, nunca atuou em favor das pautas do Banco Master no Congresso Nacional e sempre votou contra os interesses do banco", afirma.






