“Valentões Vão Usar Rosa na Marra”
- porAlcina Reis
- 09 de Julho / 2026
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Se há uma coisa que o Rio de Janeiro sabe fazer com maestria, é ditar moda. Das areias de Copacabana às passarelas improvisadas dos morros, a carioquice sempre teve aquele "borogodó" irresistível. Mas a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) acaba de transcender o conceito de alta-costura criminal.
Ao aprovarem por unanimidade na CCJ o Projeto de Lei 7.549/26, os nossos mui dignos deputados fluminenses criaram a tendência mais aguardada das próximas estações: a tornozeleira eletrônica na cor rosa choque para agressores de mulheres.
A medida não foi criada para humilhar ninguém. Seu objetivo é proteger vítimas, facilitar o trabalho das forças de segurança e inibir novos episódios de violência. Mas é impossível não enxergar uma boa dose de ironia no destino reservado a muitos "machões" que se dizem donos da verdade.
Aqueles que se achavam fortes apenas para levantar a mão contra uma mulher poderão acabar carregando no tornozelo um equipamento na cor rosa. Agora, os valentões cariocas, que tanto gostam de ostentar uma falsa imagem de coragem, podem descobrir que a valentia desaparece quando a Justiça bate à porta. E, pelo visto, vão usar rosa na marra.
Talvez seja uma das maiores lições simbólicas dos últimos tempos: quem escolhe a violência perde até o direito de escolher a cor do equipamento que usará para ser monitorado.
Mais importante do que a cor, evidentemente, é o recado. A sociedade não pode mais tolerar agressões contra mulheres. Quem agride precisa responder por seus atos e conviver com as consequências impostas pela Justiça.
Fica a sugestão para Mato Grosso do Sul. A Assembleia Legislativa do Estado poderia estudar uma proposta semelhante. Se a medida contribuir para intimidar agressores, aumentar a proteção das vítimas e reduzir a reincidência, será muito bem-vinda.
Que a tornozeleira rosa se torne menos um motivo de piada e mais um símbolo de que a violência contra a mulher deixou de ser tratada com complacência. Afinal, coragem de verdade nunca foi bater em quem não pode se defender. Coragem é respeitar.
Isso precisa virar LEI FEDERAL
Por Alcina Reis






