Tomate dispara 37,76% em setembro e clima deve manter preços elevados em 2026

| Créditos: Foto: Kleber Clajus


O preço do tomate apresentou fortes oscilações ao longo de 2026 e voltou a pressionar o orçamento dos consumidores brasileiros em setembro. A alta de 37,76% registrada no mês contrariou o comportamento histórico do produto, que costuma ficar mais barato no segundo semestre, período tradicionalmente marcado por maior oferta.

O aumento foi influenciado por condições climáticas desfavoráveis e pela redução da área destinada ao cultivo no país. O excesso de chuva e os dias nublados prejudicaram o desenvolvimento das plantas, atrasaram a maturação e reduziram o volume de frutos disponíveis para comercialização.

Preços alternaram altas e quedas

Nos últimos meses de 2025, o tomate acumulou quedas expressivas: recuou 11,52% em setembro, 10,38% em novembro e 3,95% em dezembro.

Em 2026, o movimento se inverteu. O produto subiu 20,52% em janeiro, 20,31% em março, 6,13% em abril e 20,62% em maio. Depois de acumular valorização superior a 65% no primeiro semestre, apresentou recuos de 29,09% em julho e de 10,94% em agosto.

A queda, porém, foi interrompida em setembro, quando o preço avançou 37,76%, contribuindo para a elevação dos alimentos consumidos nos domicílios.

Menor área plantada reduz oferta

De acordo com João Paulo Deleo, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a variação dos preços está relacionada a fatores como clima, produtividade, calendário de plantio e área cultivada.

As regiões produtoras do Sudeste e do Centro-Oeste foram afetadas por dias chuvosos e pouca luminosidade, condições que prejudicaram a fotossíntese e reduziram o potencial produtivo das lavouras.

Outro fator de pressão é a diminuição da área plantada pelo segundo ano consecutivo. As estimativas do Cepea apontam redução de 5,4% em 2026 e retração acumulada de 16,3% em dois anos. Prejuízos registrados em safras anteriores estão entre os motivos que levaram produtores a diminuir o cultivo.

Consumidor pode continuar pagando mais

A perspectiva para os próximos meses é de manutenção da instabilidade. No Sul e no Sudeste, o excesso de chuvas pode comprometer a produtividade. Já no Nordeste e em áreas do Centro-Oeste, períodos mais secos e temperaturas elevadas podem favorecer o surgimento de pragas e prejudicar as plantações.

Segundo João Paulo Deleo, o comportamento dos preços continuará condicionado principalmente às condições climáticas e à disponibilidade do produto no mercado.

Apesar de o tomate representar uma parcela relativamente pequena do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com peso estimado entre 0,2% e 0,35%, suas oscilações têm impacto direto no custo da alimentação e no planejamento das despesas das famílias brasileiras.

Fonte: CNN

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