TJMS nega habeas corpus e mantém preso despachante acusado de fraudes no Detran-MS
- porRedação
- 30 de Janeiro / 2026
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O desembargador Fernando Paes de Campo, da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), negou pedido de habeas corpus e manteve preso o despachante David Cloky Hoffaman Chita, réu por envolvimento em um esquema de fraudes no Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS). O processo tramita em sigilo.
A decisão foi publicada no Diário da Justiça desta sexta-feira (30). Ao analisar o pedido apresentado pela defesa, o magistrado indeferiu a solicitação de liberdade provisória. “Ante o exposto, indefiro a liminar pleiteada”, destacou na decisão.
David Chita foi preso no dia 18 de dezembro do ano passado, após permanecer foragido por aproximadamente um ano e meio. A prisão ocorreu em sua residência, localizada na Rua 26 de Agosto, em Campo Grande, durante ação realizada por policiais do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros).
Nesta sexta-feira, também está prevista a realização de audiência para a oitiva de testemunhas no processo que resultou na prisão do despachante. Serão ouvidas pessoas arroladas em comum pelas defesas dos réus e pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
De acordo com investigação conduzida pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria atuado para liberar irregularmente a documentação de pelo menos 29 veículos que possuíam restrições administrativas ou judiciais. A fraude teria sido cometida em conjunto com Yasmin, então servidora do Detran-MS.
Conforme relatório policial sigiloso, ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, Yasmin recebia propina para realizar baixas clandestinas em caminhões com restrições. David seria o responsável pelos pagamentos, que incluíam transferências via Pix, além da entrega de bens como um iPhone 15 Pro Max — entregue dentro de uma cesta no próprio Detran-MS —, joias, aparelhos eletrônicos, ar-condicionado e televisão.
Yasmin chegou a ser presa durante a investigação, mas foi colocada em liberdade após ser constatada gravidez. Ela foi exonerada do Detran-MS e atualmente cumpre prisão domiciliar, monitorada por tornozeleira eletrônica. Antes do escândalo, a ex-servidora chegou a ser apresentada como “Supergirl heroína do trânsito” em eventos educativos do órgão.
Além das acusações relacionadas às fraudes no Detran-MS, David Chita também foi condenado no ano passado a seis anos de prisão, em regime semiaberto, pelo roubo de R$ 270 mil em propina, no âmbito da Operação Vostok.






