Terreno vital para Alfândega na Rota Bioceânica é vendido a investidor por preço considerado irrisório no Paraguai

Área localizada em região estratégica, na rota Bioceânica | Créditos: Reprodução/ABC Color


Uma área situada em ponto estratégico de Carmelo Peralta, na fronteira com Mato Grosso do Sul, foi vendida pelo governo paraguaio a um investidor privado por um valor considerado muito abaixo do mercado. O terreno, com cerca de 29 hectares, fica próximo da ponte internacional que ligará o Paraguai a Porto Murtinho, estrutura central da Rota Bioceânica.

A região havia sido parcialmente destinada à instalação de uma zona primária aduaneira, essencial para o controle de cargas e passageiros na nova ligação entre os dois países. Inicialmente, parte da área foi reservada para uso da autoridade alfandegária, mas decisões administrativas posteriores reverteram essa divisão e transferiram novamente toda a propriedade ao investidor.

O processo teve início em 2021, quando o órgão responsável por terras rurais no Paraguai autorizou a venda. O valor pago, convertido para a moeda brasileira, gira em torno de R$ 13 mil — cifra considerada muito abaixo do praticado em áreas estratégicas. Em Mato Grosso do Sul, terrenos próximos à fronteira podem atingir valores significativamente mais altos por hectare, sobretudo em regiões com potencial logístico.

Em 2024, uma decisão judicial chegou a restituir parte do terreno à alfândega paraguaia, mas a medida foi anulada posteriormente, restabelecendo o investidor como único proprietário dos 29 hectares. A reviravolta provocou críticas internas por suposto favorecimento e pelo possível comprometimento da implantação de estruturas consideradas essenciais para as operações da rota.

A disputa envolve não apenas interesses privados, mas também etapas importantes do processo de integração entre Brasil e Paraguai. O local é considerado estratégico para a instalação de centros aduaneiros que vão atender à nova ponte internacional, o que torna a controvérsia ainda mais sensível para o planejamento logístico e para a segurança na fronteira.

Fonte: publicação jornalística paraguaia.

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