Templo centenário de comunidade quilombola em Campo Grande é reaberto após ampla restauração

| Créditos: Foto: Paulo Francis


Após passar por uma profunda obra de restauro e estruturação, o histórico templo religioso de uma emblemática comunidade quilombola da capital sul-mato-grossense será reinaugurado no dia 11 de novembro, às 19h. A data da cerimônia foi escolhida por marcar exatamente cem anos do falecimento da fundadora do local, matriarca que deu origem à comunidade e ergueu a primeira capela da região em cumprimento a uma promessa religiosa.

As intervenções no local somaram cerca de R$ 2,2 milhões e abrangeram desde a recuperação arquitetônica do edifício até a requalificação urbana e paisagística do seu entorno. Por se tratar de uma estrutura antiga, os trabalhos exigiram cuidados específicos de engenharia, como o desmonte e a reconstrução minuciosa de seções da torre e das laterais, com limpeza e reutilização dos tijolos originais, além do escoramento do telhado. A tradicional fachada em tom azul foi preservada, assim como monumentos históricos da praça e a sepultura da fundadora, mantida em seu local original no interior do templo.

Devido à capacidade reduzida do espaço interno, que comporta cerca de 20 pessoas assentadas, a missa de reabertura acontecerá no pátio externo para abrigar o público esperado. A partir dessa data, os visitantes também poderão conferir uma exposição temática instalada no pátio, que resgata a história, os saberes e a memória do território.

Além da celebração religiosa e da mostra histórica, o cronograma comemorativo se estende ao longo do mês de novembro com diversas atividades integradas às ações da Consciência Negra:

20 de novembro (8h30): Torneio esportivo comunitário reunindo moradores e bairros vizinhos na arena local.

21 de novembro (9h30): Caminhada guiada focada em afroturismo, percorrendo pontos de memória, cultura e religiosidade da região.

28 de novembro (17h): Encerramento com apresentações culturais e musicais, feira de produtores comunitários e homenagens ao legado dos descendentes da matriarca.

Recentemente reconhecida e tombada como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo órgão federal de proteção ao patrimônio, a comunidade teve suas origens no início do século XX e hoje se consolida como um importante símbolo de preservação da memória e da identidade cultural do estado.

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