Tarifa dos EUA afeta exportações de cachaça brasileira

| Créditos: Foto de Marcello Casal Jr. Agência Brasil


Produtores de cachaça no Brasil enfrentam dificuldades após a imposição de uma tarifa de 50% sobre o produto pelos Estados Unidos. O aumento do imposto provocou paralisação nas vendas, cancelamento de pedidos e interrupção nas negociações com importadores americanos.

Os EUA são o terceiro maior importador de cachaça brasileira em volume, atrás apenas do Paraguai e da Alemanha, mas lideram no preço pago por litro, pagando valores 96% acima da média global, segundo dados do Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça).

Katia Alves Espírito Santo, proprietária da Cachaça da Quinta, empresa centenária do município de Carmo (RJ), afirma que metade de sua produção é vendida para os EUA e que a medida teve impacto imediato: "Tem sido um impacto violento, porque afeta completamente a operação. Tivemos de reduzir a produção."

O setor brasileiro reúne mais de 1.200 produtores registrados, com 7.223 marcas e produção anual estimada em cerca de 800 milhões de litros, gerando mais de 600 mil empregos. O presidente do Ibrac, Carlos Eduardo Cabral de Lima, alerta que a sobretaxa pode reduzir o faturamento das exportações em 12% e o volume vendido para os americanos em pelo menos 6%.

O Ministério da Agricultura (Mapa) acompanha a situação e avalia possíveis medidas de apoio às empresas, enquanto produtores recorrem a linhas de crédito do Programa Brasil Soberano para amenizar os efeitos da tarifa.

A cachaça, que depende de hábitos culturais para conquistar novos mercados, enfrenta dificuldades adicionais para redirecionar sua produção, ao contrário de outros setores exportadores. Segundo o Ibrac, o sucesso internacional do destilado está associado, entre outros fatores, ao êxito da caipirinha.

Fonte: Folha/UOL

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