Suspeito de financiar esquema criminoso, agente público é investigado por desvio e negociação de entorpecentes apreendidos

| Créditos: Divulgação


Uma ação ministerial que apura esquemas de corrupção e narcotráfico apontou que um investigador de polícia teria investido recursos financeiros para viabilizar o transporte e a apropriação indevida de cargas de entorpecentes em Mato Grosso do Sul. As apurações indicam que ele também teria participado da comercialização de substâncias ilícitas que haviam sido interceptadas anteriormente pelas forças de segurança.

A acusação formal decorre de desdobramentos da Operação Infiltrados, na qual mais de duas dezenas de envolvidos foram denunciados ao Poder Judiciário. A investigação requereu o afastamento dos servidores implicados, a perda dos cargos públicos e o ressarcimento de valores milionários por danos causados.

Divisão de custos e aluguel de veículo

Entre os elementos colhidos pelos investigadores, constam gravações de áudio de um dos suspeitos de liderar o tráfico na região. Nas gravações, o interlocutor detalha que o agente público teria dividido com outros parceiros as despesas necessárias para estruturar o plano. O plano previa a locação de um caminhão e a contratação de um condutor responsável por direcionar o material ilícito diretamente ao grupo.

Análises de inteligência indicam que essa atuação em conjunto permaneceu mesmo após o afastamento ou transferência do servidor da unidade especializada em combate ao narcotráfico. Registros de mensagens e monitoramentos telefônicos mostram o acompanhamento de veículos suspeitos, inclusive com a instalação de rastreadores para monitorar o trajeto das mercadorias.

Reassociação com apreensões antigas e repasses financeiros

A denúncia descreve ainda episódios em que dezenas de quilos de cocaína e pasta-base apreendidos em operações policiais teriam sido parcialmente desviados para reabastecer o mercado clandestino. Em um dos casos registrados, imagens e dados telemáticos capturaram registros da negociação dos pacotes e fotos de maços de dinheiro cobrados pela transação.

Complementando o conjunto probatório, quebras de sigilo bancário identificaram transferências financeiras diretas enviadas por infratores à conta do agente público em datas distintas, corroborando o vínculo duradouro entre as partes.

Próximos passos judiciais

O processo segue sob análise da Justiça, que decidirá sobre a abertura formal da ação penal. Defesas atreladas aos citados alegam que os elementos reunidos na fase inquisitorial serão contestados no decorrer da instrução e afirmam confiar na demonstração da inocência de seus representados ao final do julgamento.

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