Sobretaxa dos EUA ameaça exportações de celulose de MS e pode desequilibrar mercado global
- porRedação
- 25 de Julho / 2025
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| Créditos: Álvaro Rezende
A sobretaxa de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros pode reduzir drasticamente as exportações de celulose de Mato Grosso do Sul no segundo semestre, caso a medida entre em vigor em 1º de agosto. A análise é do especialista Gustavo Duprat, da Scot Consultoria, que alerta: “São tarifas altíssimas e sem precedentes nas relações comerciais entre os dois países”.
Historicamente, o segundo semestre concentra as maiores vendas de celulose aos EUA – em 2023, 52% das exportações ocorreram entre julho e dezembro. Se a tarifa for mantida, o Brasil perderá competitividade, levando a uma queda significativa nas vendas, avalia Duprat.
Apesar do risco, Mato Grosso do Sul tem diversificado mercados, com crescimento expressivo nas vendas para Turquia, Arábia Saudita e Alemanha. As exportações para a Turquia, por exemplo, quase triplicaram em dois anos, atingindo 176,9 mil toneladas no primeiro semestre de 2024.
O estado, sede de gigantes como Suzano e Eldorado Brasil, lidera as exportações nacionais de celulose, com US$ 1,73 bilhão em receita no primeiro semestre. Os EUA respondem por 31% desse mercado, com US$ 213,4 milhões em 2023.
Duprat ressalta que, mesmo com a diversificação, a sobretaxa trará um choque imediato: “Se as vendas aos EUA caírem, o excedente de oferta poderá derrubar os preços globais”. A celulose brasileira já registra queda nas cotações, com a tonelada caindo US$ 70 na China entre abril e maio.
“O Brasil é o maior exportador mundial, e a substituição do mercado americano não será rápida. O desequilíbrio entre oferta e demanda afetará a competitividade do setor”, conclui o analista.






