“Serra da Bodoquena”: Kemp apoia MP e cobra do Imasul dados sobre desmatamento

Um dos principais patrimônios naturais de Mato Grosso do Sul, a Serra da Bodoquena enfrenta o avanço do desmatamento e da degradação ambiental. O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul denunciou falhas na fiscalização por parte do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, responsável pelo licenciamento ambiental no Estado.

Diante da situação, o deputado estadual Pedro Kemp (PT) apresentou requerimento solicitando informações detalhadas sobre os desmatamentos na região. Nesta quinta-feira (26), o parlamentar utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para denunciar o que classificou como um rastro de destruição ambiental que já teria atingido cerca de 48 mil hectares.

Ação civil pública e autorizações ambientais

Em apoio à atuação do Ministério Público, Kemp repercutiu a ação civil pública que aponta a dispensa de licenças ambientais para desmatamento e implantação de monoculturas na região.

Segundo o parlamentar, entre 2014 e 2022 o Imasul teria emitido 166 autorizações para supressão vegetal e corte de árvores nativas isoladas, totalizando mais de 48,5 mil hectares de desmatamentos autorizados.

“Essas são regiões consideradas santuários ecológicos. Se não protegermos os recursos hídricos e as matas nativas para transferir às futuras gerações, quem vai cuidar? Se não for a Assembleia fiscalizar, se o Governo e o Imasul não forem in loco acompanhar o que está acontecendo, então quem vai cuidar desse patrimônio?”, questionou.

As autorizações mencionadas abrangeriam áreas nos municípios de Bonito, Bodoquena, Miranda e Porto Murtinho — localidades reconhecidas pelo potencial turístico e pela relevância ambiental.

Críticas à monocultura e defesa ambiental

Kemp também criticou o avanço da monocultura, especialmente da soja, em áreas próximas a ecossistemas sensíveis. Segundo ele, o uso intensivo de agrotóxicos pode comprometer as águas cristalinas da região.

“Já denunciei o avanço do plantio de soja em Bonito. Fico pensando se é porque esse Governo tem muito compromisso com o agronegócio e a questão ambiental fica em segundo plano. Precisamos estar vigilantes, porque querem avançar no desmatamento em uma região tão sensível como a Serra da Bodoquena”, afirmou.

O parlamentar defendeu que existem outras áreas mais adequadas para expansão agrícola e reforçou a necessidade de fiscalização rigorosa para preservar as riquezas naturais do Estado. “Ou a gente cuida, ou não teremos mais”, concluiu.

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