Sentença da Coffee Break expõe tolerância à corrupção e elo com outras investigações em MS
- porRedação
- 04 de Abril / 2025
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A condenação de empresários e políticos na Operação Coffee Break, referente à cassação do ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, reacende o debate sobre a persistente tolerância com a corrupção no Brasil e sua abrangência, chegando aos tribunais de Mato Grosso do Sul.
Para o juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 2ª Vara de Direitos Difusos, a decisão revela a falta de mecanismos internos de controle, citando recentes episódios envolvendo o Tribunal de Contas e o Tribunal de Justiça do estado. O magistrado expressa preocupação com a normalização da corrupção no país, onde a impunidade alimenta a prática de ilícitos que desviam recursos de áreas essenciais.
Ariovaldo Nantes Corrêa ganhou notoriedade em 2024 ao anular um acordo de desmatamento e ser mencionado em relatório da PF sobre venda de sentenças no TJMS, devido a conflitos com um desembargador investigado.
A Operação Coffee Break, deflagrada em 2015, investigou um esquema de conluio para cassar Bernal em 2014. Quase dez anos depois, a Justiça condenou 11 pessoas, incluindo empresários e ex-vereadores, por improbidade administrativa. Segundo o juiz, a ação demonstrou a utilização de relações com agentes públicos para obter benefícios indevidos, revelando a atuação de organizações com práticas ilícitas junto a instituições estaduais. A sentença não analisou a legalidade da cassação, mas sim as condutas de um grupo político e econômico para atender a interesses particulares.
Os condenados, incluindo figuras como André Luiz Scaff, Carlos Eduardo Belineti Naegele e João Roberto Baird, foram enquadrados na Lei de Improbidade Administrativa por receberem vantagens indevidas em razão de seus cargos ou influência. Os empresários também foram responsabilizados por induzir ou concorrer para a prática dos atos ilícitos e deverão pagar R$ 1,9 milhão por dano moral coletivo.






