“Se a memória resistir, a resposta virá nas urnas”

| Créditos: IA /Conteúdo MS


As suspeitas reveladas pelo Gaeco envolvendo a saúde pública causam indignação. Se as investigações confirmarem que houve um esquema para favorecer interesses particulares dentro de um setor tão sensível, Mato Grosso do Sul estará diante de um dos episódios mais graves de sua história recente.

A saúde não pode ser tratada como instrumento de poder. Enquanto milhares de pessoas aguardam por consultas, exames e cirurgias, qualquer indício de que a estrutura pública possa ter sido utilizada para beneficiar grupos ou projetos políticos é um desrespeito com quem depende exclusivamente do SUS.

É fundamental destacar que todos os investigados têm direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência. Caberá ao Ministério Público apresentar as provas e ao Poder Judiciário definir as responsabilidades. Mas a gravidade das suspeitas já é suficiente para provocar uma profunda reflexão na sociedade.

E essa reflexão ganha ainda mais importância por estarmos em ano de eleição. Não para transformar investigações em palanque, mas para lembrar que o eleitor também exerce um papel de fiscal da vida pública.

Se a população não tiver uma memória tão curta, haverá de se lembrar desses acontecimentos quando estiver diante da urna eletrônica. O voto não serve apenas para escolher representantes; ele também é uma forma de demonstrar que a ética, a transparência e o respeito ao dinheiro público não podem ser esquecidos entre uma eleição e outra.

Se as acusações forem comprovadas, que as punições sejam exemplares, sem distinção de cargo, partido ou influência. E, independentemente do desfecho judicial, que este episódio deixe uma lição: quem administra recursos públicos deve fazê-lo com responsabilidade, porque a confiança do cidadão é um patrimônio que, uma vez perdido, dificilmente é recuperado.

Por Alcina Reis

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