Rompimento entre PCC e Comando Vermelho reacende alerta de violência na fronteira de MS

| Créditos: Arte/Metrópoles


O fim da trégua entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), identificado por relatórios da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), acende um alerta para o aumento da violência na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul, região estratégica para o tráfico de drogas.

Segundo informações repassadas ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, a aliança entre as facções teria começado em fevereiro, com o objetivo de evitar confrontos e fortalecer a atuação dos grupos, inclusive dentro do sistema penitenciário federal. No entanto, a trégua teria sido encerrada recentemente, conforme advogados ligados à facção do Rio de Janeiro, que relataram o rompimento de forma pacífica.

O histórico de disputas na fronteira, principalmente pela rota do tráfico entre Brasil, Paraguai e Bolívia, é marcado por episódios de violência. Em 2016, a execução do narcotraficante Jorge Rafaat, em Pedro Juan Caballero, evidenciou a guerra pelo controle da região. Desde então, confrontos entre os grupos têm sido frequentes, embora em queda nos últimos anos, conforme dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Em 2023, foram registrados 199 homicídios nos municípios da fronteira, o menor número desde 2015. Porém, só nos quatro primeiros meses deste ano, já houve 76 assassinatos, sugerindo possível retomada dos conflitos. Em Ponta Porã, por exemplo, nove pessoas foram mortas até abril, quase a metade do total de 2023.

Três dessas mortes ocorreram em março, quando Bruno Pacheco Ferreira, Mauritoni Gleberson da Silva e Rosângela Ojeda de Souza foram executados em Ponta Porã. Dias depois, os dois suspeitos pelos assassinatos morreram em confronto com a polícia durante cumprimento de mandados de prisão.

Relatórios recentes da Senappen também apontam que as facções mantêm alianças com grupos locais para viabilizar a logística do tráfico na região.

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