Rio Taquari reacende alerta sobre erosões e segurança hídrica no Pantanal de Coxim

A chegada das águas do Rio Taquari às regiões pantaneiras de Coxim, neste domingo (8), voltou a acender o alerta sobre a segurança hídrica e a necessidade de conservação ambiental na bacia hidrográfica. O avanço da cheia deixou cerca de 35 famílias ribeirinhas desalojadas nas localidades de Barranqueira, Tapete Verde e Recanto do Sossego, evidenciando, segundo especialistas, os impactos diretos das erosões no solo sobre a ocorrência de inundações.

De acordo com a ONG Instituto Taquari Vivo, o enfrentamento de desastres naturais na região passa, obrigatoriamente, pelo manejo técnico adequado do solo. A fragilidade natural da Bacia do Taquari, somada a práticas inadequadas, tem intensificado processos erosivos e o assoreamento dos cursos d’água, comprometendo o equilíbrio do sistema hidrológico.

O diretor do Instituto Taquari Vivo, Renato Roscoe, explica que o manejo incorreto nas sub-bacias dos rios Coxim e Jauru acelera a degradação do solo e amplia os riscos de enchentes. “Quando o solo perde sua estrutura, ele perde também a capacidade de infiltrar e armazenar água. Em bacias com solos naturalmente frágeis, qualquer manejo inadequado acelera os processos erosivos, impactando nascentes, rios e reservatórios a jusante, além de comprometer a produtividade agropecuária local”, afirma.

Como medida preventiva, o Projeto Prosolo Alto Taquari, coordenado pelo Governo do Estado por meio da Semadesc, em parceria com Senar/MS, Agraer e as prefeituras de Figueirão e Alcinópolis, tem promovido ações como workshops técnicos e a readequação de estradas vicinais. O objetivo é reduzir o carreamento de sedimentos que elevam o leito dos rios e potencializam alagamentos na planície pantaneira.

“Não existe conservação da água sem conservação do solo. Isso passa por planejamento, técnica e, principalmente, por trabalhar com quem está no campo. Conservar o solo não é apenas uma exigência ambiental, é uma estratégia de permanência no território”, reforça Roscoe.

Comunidades atingidas

Dados da Sala de Situação do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) indicam que o Rio Taquari registrou recuo para 4,72 metros na manhã de domingo, permanecendo abaixo da cota de emergência na área urbana de Coxim. Apesar disso, o volume de água foi deslocado para a planície pantaneira, atingindo comunidades situadas a cerca de 40 quilômetros da sede do município.

No Recanto do Sossego, dez famílias perderam móveis, alimentos e plantações de subsistência. O acesso ao local está restrito a embarcações e não há sinal de comunicação. Segundo o vereador Marcinho Souza (União), o impacto foi agravado pelo fato de parte dos moradores ter se estabelecido na região após a última grande cheia, registrada em 2011.

Equipes das secretarias municipais de Assistência Social e de Obras atuam no envio de água potável e cestas básicas às áreas afetadas. Em Barranqueira e Tapete Verde, cerca de 40 imóveis, entre residências permanentes e ranchos de temporada, foram atingidos pela inundação.

Monitoramento e alerta

Na área urbana de Coxim, moradores começam a retornar às casas, mas enfrentam prejuízos estruturais e danos nas vias públicas. O prefeito Edilson Magro (PP) informou que busca apoio do Governo do Estado para a recuperação das áreas afetadas e a reconstrução da infraestrutura.

Uma campanha de arrecadação de móveis, alimentos e produtos de higiene foi centralizada na Secretaria Municipal de Cidadania e Assistência Social.

Embora o nível do Rio Taquari apresente tendência de queda, o cenário regional ainda inspira atenção. O Rio Aquidauana chegou a ultrapassar a cota de emergência no domingo, com 8,24 metros, mas já apresenta sinais de recuo nesta segunda-feira (9).

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta de perigo para chuvas intensas, com volumes de até 50 milímetros por dia e ventos entre 40 e 60 km/h. Apesar do aviso, especialistas apontam baixo risco de interrupção no fornecimento de energia elétrica, quedas de galhos, alagamentos urbanos e descargas elétricas.

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