Réus por morte de professores indígenas em Paranhos irão a júri popular, decide TRF-3

| Créditos: Divulgação


O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) confirmou o julgamento de cinco réus, incluindo fazendeiros e um político, por homicídio qualificado de dois professores indígenas em Paranhos, Mato Grosso do Sul. O caso, que remonta a outubro de 2009, envolve uma disputa por terras na fazenda São Luiz, reivindicada como terra indígena Ypo’I pelos Guarani Kaiowá.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Jenivaldo Vera foi encontrado morto dias após o confronto, com um tiro nas costas, enquanto o corpo de seu primo, Rolindo Vera, nunca foi localizado.

Em 2023, 14 anos após os fatos, a Justiça Federal de Ponta Porã determinou que Evaldo Luiz Nunes Escobar, Joanelse Tavares Pinheiro, Antônio Pereira, Fermino Aurélio Escobar Filho e Rui Evaldo Nunes Escobar fossem a júri. Dois crimes anteriores, disparo de arma de fogo e ocultação de cadáver, prescreveram, e um dos denunciados faleceu.

Os réus, que incluem proprietários de agropecuárias, um ex-candidato a prefeito e um comerciante, recorreram da decisão, alegando contradições e falta de provas. No entanto, o TRF-3, após analisar laudos, prontuários, relatórios fotográficos e depoimentos, negou os recursos por unanimidade.

As defesas apresentaram álibis, como a presença em um evento religioso e uma corrida de cavalos, mas a Justiça considerou que as informações não foram suficientes para afastar as dúvidas sobre a participação dos acusados no ataque, que teria envolvido dezenas de disparos contra um grupo de 50 indígenas. A defesa de Joanelse informou que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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