Representante da Embaixada do Brasil nos EUA vai acompanhar audiência sobre tarifaço
- porRedação
- 06 de Julho / 2026
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| Créditos: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O governo federal decidiu não enviar representantes para discursar nas audiências públicas que ocorrem em Washington, a partir desta segunda-feira (6), sobre a proposta de um novo tarifaço dos Estados Unidos. No entanto, o Ministério das Relações Exteriores vai acompanhar os debates presencialmente — e possivelmente com a embaixadora brasileira no país norte-americano.
As reuniões para ouvir o público sobre esse tema ocorrem na sede da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos. A lista de inscritos para discursar conta com representantes do setor produtivo de ambos os países envolvidos, além de políticos como o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O R7 apurou que, para o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, essas as audiências públicas são direcionadas a empresários e à sociedade civil; por isso, elas não funcionam como um meio de negociações. Dessa forma, o governo federal optou por manter o diálogo com os EUA apenas pelos canais diplomáticos oficiais.
A reportagem também recebeu a informação de que, na última quinta-feira (2), ocorreu uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
O encontro ocorreu para articulação contra as tarifas, a partir de uma carta enviada ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A reportagem apurou, ainda, que o Brasil deve enviar a embaixadora em Washington como observadora para a audiência, mas que as negociações não devem ocorrer a partir do evento, e sim pelos canais diplomáticos já construídos.
Sanções e acusação de crimes
A proposta de sanções do governo Trump às mercadorias brasileiras envolve acusações previstas na Seção 301. O dispositivo prevê a imposição de tarifas por parte dos EUA a países que, em seu entendimento, cometerem práticas de comércio desleais em áreas como comércio digital, desmatamento e propriedade intelectual.
Em junho deste ano, o governo norte-americano categorizou algumas políticas adotadas pelo Brasil como “irracionais”, afirmando que causam sobrecarga e restringem o comércio dos EUA.
Dentre os pontos destacados pelo órgão estadunidense, estão um suposto favorecimento, por parte do Brasil, ao comércio com México e Índia; uma concorrência desleal causada pelo sistema Pix às bandeiras de crédito norte-americanas; falhas nas ações de combate à corrupção, ao desmatamento e à pirataria; e falta de reciprocidade na exportação de combustível etanol aos EUA.
O Brasil tem até 15 de julho para tentar a negociação das tarifas.






