“Quando o Sofá Saiu à Rua o Congresso Engoliu Seco”
- porAlcina Reis
- 25 de Setembro / 2025
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"Quando o Sofá Saiu à Rua o Congresso Engole Seco"
Domingo (21) foi daqueles dias em que o Brasil resolveu sair da cama com o pé esquerdo e, ao invés de reclamar só no sofá, colocou o pé na rua.
Centenas de milhares de pessoas lotaram capitais e cidades do interior, gritando o óbvio: “Sem anistia e sem blindagem!”. Em todas as capitais! E até em Berlim e Lisboa, porque hoje em dia protesto sem um check-in internacional é como feijoada sem laranja: incompleta. Quem diria, o povo brasileiro dando aula de democracia internacional — e sem cobrar ingresso.
Blindagem e anistia, fantasmas da política nacional, foram empurradas para o túmulo.
Mas, cá entre nós, não se trata de funeral definitivo; no Brasil, certas ideias ressuscitam mais do que zumbi em série ruim da Netflix. A diferença é que, desta vez, quem pregou a pá de cal foi o povo, não o Congresso. E quando a rua fala, até o Senado e a Bancada Federal engolem seco e o STF fingem que sempre estiveram de acordo.
É a força do povo, onipresente e onisciente como uma fibra óptica.
E aqui jaz a lição mais sublime, a dica que nos é oferecida com a paciência de uma professora de primário: o povo nas ruas é mais forte que o STF, o Senado e a Bancada Federal. Uma revelação! Passamos séculos pensando que a democracia era um negócio chato com voto, instituições e debates tediosos, quando na verdade era só deixar o povo caminhar aos domingos.
Precisamos, como sempre digo, aprender a lutar por causas de interesse de todos, e não por privilégios de poucos.
Uma verdade como um raio, que certamente foi debatida exaustivamente nos after-parties dos atos, entre um canapé e um elogio à resistência.
Mas a cereja do bolo, como não poderia deixar de ser, é a telenovela do poder: “O Menino Mimado e os Amores Não Correspondidos”. Depois do declaração de amor de Trump a Lula (um spoiler que ninguém da trama principal viu chegando), e de Bolsonaro resolver apoiar Tarcísio para a presidência, o co-protagonista Eduardo Bolsonaro – perdão, “Eduardo” – deve estar “aos prantos”. O plano perfeito do menino traiçoeiro da série ruiria? A candidatura que ele jurava de pé junto era uma “doce ilusão”?
Que drama! Que reviravolta! Quem precisa de “Game of Thrones” quando se tem o Palácio do Planalto? E assim seguimos, brasileiros. Entre ruas que são palco, recados que são posts, e revoluções que têm hora para acabar porque segunda-feira é dia de trabalho. O povo é forte, mas o almoço não se faz sozinho. É a crônica de um país que protesta no domingo e negocia no WhatsApp na segunda.
Sem anistia para o bom senso. E sem blindagem contra a ironia.
Moral da história?
“Resta ao brasileiro aprender: protestar funciona, e acreditar em destino hereditário na política é coisa de quem ainda confunde democracia com testamento.”
Por: Alcina Reis







