Projeto de R$ 1,9 Bilhão prevê Ampliação de Terminal Logístico no Pantanal em Meio a Impasses com Comunidade Local

| Créditos: Divulgação


Um projeto de expansão com investimento estimado em R$ 1,9 bilhão prevê elevar a capacidade de movimentação do Terminal Privativo Gregório Curvo para 15 milhões de toneladas de minério por ano no Pantanal sul-mato-grossense. Localizado em Corumbá, o empreendimento passa por processos de licenciamento ambiental sob análise do órgão competente do estado, ao mesmo tempo em que gera impasses operacionais e judiciais em relação à proximidade com o distrito de Porto Esperança.

Proposta de Expansão Logística

O plano de investimento prevê mudanças na infraestrutura logística de escoamento. O projeto inclui a instalação de pátios para estocagem e peneiramento, pera ferroviária, além de ampliação de píeres e estruturas portuárias no Rio Paraguai. O objetivo principal é integrar o modal ferroviário para reduzir progressivamente o fluxo do transporte rodoviário.

Dentro do trâmite ambiental, o valor fixado para as compensações ambientais ligadas ao empreendimento ultrapassa R$ 21,5 milhões. Esse montante é calculado com base na área do porto fluvial e no grau de impacto indicado pelos estudos técnicos, sendo destinado à preservação e manutenção de unidades de conservação.

Diagnóstico Técnico e Impactos Ambientais

O Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) mapeia os reflexos diretos das intervenções na região:

Manejo de Vegetação: Está prevista a supressão de aproximadamente 66,5 hectares de vegetação nativa, dos quais 18,9 hectares correspondem a Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo das margens de cursos d'água.

Recursos Hídricos: O plano prevê dragagens de manutenção para garantir o calado das embarcações, além de monitoramento contínuo sobre corixos, vazantes e a dinâmica do Rio Paraguai contra o acúmulo de sedimentos e riscos de erosão.

Qualidade do Ar e Ruídos: O estudo aponta o material particulado (poeira) e as emissões veiculares como os principais poluentes a serem controlados. Modelagens técnicas indicam que as médias de concentração atmosférica devem ficar dentro dos limites legais autorizados, prevendo a instalação de pontos permanentes de monitoramento na comunidade vizinha.

Reivindicações e Diálogo Social

Devido à curta distância entre as instalações do porto e as residências — em pontos onde o limite da área do projeto fica a cerca de 15 metros das casas —, moradores do distrito têm formalizado questionamentos na Justiça. Representantes jurídicos dos residentes apontam que poeira, ruídos e o tráfego ostensivo de carretas alteram a rotina local e solicitam reparação de danos e maior acompanhamento médico.

Por outro lado, o projeto prevê programas continuados de relacionamento com a população atingida. Em etapas recentes, a área operacional desativada da antiga estação ferroviária local recebeu espaços públicos de lazer e convivência, além de iniciativas pontuais voltadas à infraestrutura hídrica e à melhoria de prédios públicos comunitários.

A viabilidade técnica do empreendimento segue em avaliação pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), órgão responsável por analisar as contribuições coletadas em audiência pública e deliberar sobre a concessão das licenças necessárias para a execução das obras.

Compartilhe: