Prisão domiciliar a investigado por jogo do bicho até realização de perícia médica

| Créditos: Foto: Leo de França/Midiamax

A decisão foi proferida poucos dias antes do recesso do Judiciário, iniciado em 20 de dezembro de 2025 e encerrado na terça-feira (6). Diante da proximidade da suspensão dos prazos e da necessidade de avaliação médica, a 4ª Vara Criminal autorizou que Samuel cumprisse a prisão em regime domiciliar.

De acordo com a determinação judicial, um perito deverá avaliar se o comerciante apresenta debilidade de saúde, em quais condições se encontra e se é possível que receba tratamento adequado no sistema prisional. Ao Jornal Midiamax, o advogado de defesa, Tiago Bunning, informou que ainda não há data definida para a realização da perícia.

Em dezembro de 2025, a Justiça havia negado um pedido de relaxamento da prisão preventiva. Na ocasião, a defesa alegou que Samuel possui histórico de hipertensão, doença cardiovascular e cálculos renais, tendo passado por cirurgia poucos meses antes. A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande, indeferiu o pedido, mas determinou que a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) assegurasse o tratamento médico e o fornecimento de medicamentos necessários.

Atuação no esquema do jogo do bicho

Segundo as investigações, Samuel Ozório Júnior exercia papel relevante na organização criminosa do jogo do bicho, liderada por José Eduardo Abdulahad. Ele seria responsável por articular e planejar ações do grupo, além de levantar informações sensíveis sobre organizações rivais.

Ainda conforme a apuração, Samuel teria sido encarregado de encontrar e pagar um novo imóvel para servir como base de operações da quadrilha, após a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul fechar uma casa que abrigava máquinas caça-níqueis.

A relevância de sua atuação no esquema é apontada pelos investigadores como tão significativa que o deputado estadual Neno Razuk (PL) teria nomeado o filho de Samuel para o cargo de assessor em seu gabinete parlamentar.

Operação Successione

Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, deflagrou a quarta fase da Operação Successione, voltada ao combate a uma organização criminosa dedicada à exploração de jogos ilegais.

Na ação, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de alvos localizados nos estados do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

As investigações apontam que, após a desarticulação da família Name na Operação Omertà, em dezembro de 2019, o grupo investigado passou a tentar assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande.

Denúncia contra a família Razuk

O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o deputado estadual Neno Razuk (PL), seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk, e os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, além de outros investigados. A denúncia foi protocolada em 10 de dezembro de 2025, no âmbito da quarta fase da Operação Successione.

Segundo o Ministério Público, a família Razuk integraria a cúpula de uma organização criminosa armada voltada à exploração ilegal de jogos de azar, com uso de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para garantir o monopólio da contravenção em Mato Grosso do Sul.

Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas. O MPMS também pede a condenação dos envolvidos ao pagamento de R$ 36 milhões por reparação de danos, conforme previsto na Lei de Lavagem de Dinheiro.

A denúncia descreve ainda que a organização atuava de forma estruturada e violenta, utilizando inclusive um aparato armado para cometer roubos contra grupos rivais, com o objetivo de enfraquecer concorrentes e assumir pontos de apostas à força em Campo Grande e em cidades estratégicas como Dourados e Ponta Porã.

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