Polícia Civil conclui que morte de Janete em Selvíria foi suicídio

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu que a morte de Janete Feles Valoes, ocorrida no último fim de semana no Assentamento São Joaquim, em Selvíria, não foi feminicídio.

Janete morreu na noite de domingo (8). Inicialmente, o companheiro dela, Alípio Drum Alves, foi preso em flagrante sob suspeita de feminicídio, após a vítima ser encontrada com uma faca no peito.

De acordo com a investigação, o filho do casal recebeu uma ligação do pai informando que a mãe “havia feito uma besteira”. Ao chegar à residência, encontrou Janete sentada em uma cadeira, com uma faca cravada no peito. Ele a colocou no carro e a levou até a base da concessionária Way, responsável pela rodovia na região, mas a morte foi constatada pelos socorristas.

Laudo aponta autoferimento

A médica-legista responsável pelo exame necroscópico foi ouvida pela polícia e concluiu que a vítima empurrou a faca contra o próprio peito.

Segundo a Polícia Civil, a lâmina não estava totalmente cravada, característica que, conforme explicado pela corporação, é mais comum em casos de suicídio do que em homicídios, quando geralmente há penetração completa da faca. A angulação do ferimento também indicaria autoagressão.

O depoimento do filho reforçou essa hipótese. Ele afirmou que a mãe havia confidenciado estar enfrentando um câncer e que tinha intenção de tirar a própria vida.

Alípio teve a prisão convertida em preventiva pelo Judiciário, mas negou a autoria do crime em interrogatório. Segundo a polícia, não há registros anteriores de violência entre o casal e o depoimento do suspeito foi considerado compatível com a linha investigativa que aponta suicídio.

Com base nas diligências e nos laudos, a Polícia Civil alterou a classificação inicial de feminicídio para suicídio e declarou encerradas as investigações.

Especialistas destacam que o diálogo pode salvar vidas. Pessoas em sofrimento psíquico podem buscar ajuda com familiares, amigos ou profissionais de saúde mental.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, disponível 24 horas por dia em todo o Brasil.

O Grupo Amor Vida (GAV) também presta atendimento gratuito pelo telefone 0800 750 5554, das 7h às 23h, inclusive aos fins de semana e feriados.

Em Campo Grande, o curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) oferece Plantão Psicológico gratuito à comunidade.

A clínica-escola da Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp) e a Clínica-Escola da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) também realizam atendimentos psicológicos à população.

Reprodução, Alfredo Neto, RCN67

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