PF prende filho do “Careca do INSS” e avança em investigação sobre descontos ilegais em benefícios previdenciários

| Créditos: Arte/Metrópoles


A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (18), Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, durante nova fase da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Também é alvo da operação o então secretário-executivo do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, que foi exonerado do cargo e teve a prisão convertida em domiciliar. Segundo a PF, as investigações indicam que a organização criminosa atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas para obtenção de dados, inserção de informações falsas em sistemas oficiais e ocultação dos valores desviados.

Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos ainda mandados de busca e apreensão contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e um assessor parlamentar. Outro investigado é o advogado Eric Douglas Martins Fidelis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS André Fidelis, que já havia sido preso em etapa anterior da operação. Contra Eric, a PF cumpre mandados de prisão preventiva e de busca.

Ao todo, a operação executa 52 mandados de busca e apreensão, 16 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares nos estados de São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais, Maranhão e no Distrito Federal. A ação é realizada de forma conjunta pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Em nota, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, informou que determinou a exoneração de Adroaldo Portal após tomar conhecimento das acusações. O Ministério da Previdência e o INSS afirmaram que seguem colaborando com as investigações e adotando medidas para recuperar os recursos desviados. O procurador federal Felipe Cavalcante e Silva assumiu a função de secretário-executivo da pasta.

O senador Weverton Rocha declarou que recebeu com surpresa o cumprimento do mandado de busca em sua residência e afirmou que está à disposição para prestar esclarecimentos, assim que tiver acesso integral à decisão judicial.

O esquema, que ficou conhecido como “Farra do INSS”, veio a público em dezembro de 2023, após denúncias sobre o aumento expressivo da arrecadação de associações por meio de descontos indevidos em benefícios previdenciários, que teriam alcançado cerca de R$ 2 bilhões em um ano. As entidades acumulavam milhares de ações judiciais relacionadas a filiações fraudulentas, o que motivou a abertura de inquéritos pela PF e pela CGU.

As investigações apontam que aposentados e pensionistas tinham valores descontados automaticamente de seus benefícios, como se fossem associados a entidades de classe, sem autorização prévia. Muitas das associações alegavam oferecer serviços como assistência jurídica e convênios, mas não possuíam estrutura mínima para atendimento efetivo. Ao menos 11 entidades foram alvo de medidas judiciais, com suspensão de contratos e interrupção dos descontos.

O pai de Romeu, Antônio Carlos Camilo Antunes, está preso desde setembro e é apontado como um dos principais operadores do esquema. A operação também provocou repercussões políticas, incluindo a saída do então ministro da Previdência, Carlos Lupi, substituído por Wolney Queiroz.

Em julho, o governo federal anunciou a devolução dos valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas. O ressarcimento está sendo realizado em parcela única, e o prazo para contestação foi prorrogado até 14 de fevereiro de 2026.

Com informações do Metrópoles

Compartilhe: