PF mira deputado do PL e desembargador por venda de decisões judiciais

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A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini para investigar a suposta comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Os alvos são o deputado estadual Faissal Calil, do PL, e o desembargador Dirceu dos Santos.

Agentes cumprem mandados de busca e apreensão domiciliar, busca pessoal e quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático dos investigados, que podem responder por corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

Dirceu dos Santos já havia sido afastado do cargo em março pela Corregedoria Nacional de Justiça, por determinação do ministro Mauro Campbell Marques. A investigação identificou indícios de que o magistrado teria vendido decisões por meio de empresários e advogados e apontou variação patrimonial incompatível com seus rendimentos, com movimentação superior a R$ 14,6 milhões em cinco anos.

Como funcionava o esquema

As investigações tiveram início a partir de dados telemáticos extraídos de aparelhos celulares, relatórios de inteligência financeira e compartilhamento de informações com o CNJ. Segundo a PF, o desembargador operava por meio de um complexo e simbiótico esquema de interposição patrimonial e financeira.

O magistrado utilizava-se de um operador econômico, advogado e do deputado, de estrita confiança. O parlamentar, de acordo com as investigações, funcionava como seu verdadeiro braço operacional para o recebimento de vantagens indevidas, quitação de passivos familiares e triangulações imobiliárias simuladas com “laranjas”.

O avanço da análise bancária identificou o trânsito de valores em espécie que superam os R$ 3,2 milhões em depósitos e saques. A investigação ainda apontou repasses sem lastro negocial justificado, oriundos de empresas do agronegócio que possuíam processos em trâmite no Tribunal.

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