PF indicia Vorcaro, ex-presidente do BRB e outros 13 por fraudes do Banco Master
- porR7
- 28 de Outubro / 2026
- Leitura: em 6 segundos

| Créditos: © Banco Master/Divulgação
A Polícia Federal formalizou no STF (Supremo Tribunal Federal) o indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro (do Banco Master) e do ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa, além de outros investigados, no âmbito do inquérito que apura as irregularidades na injeção de cerca de R$ 17 bilhões do banco público no conglomerado privado.
Daniel Vorcaro e os demais indiciados devem responder pelos crimes de gestão fraudulenta, indução de investidores a erro, fraude à fiscalização bancária, integração em organização criminosa e lavagem de dinheiro.
No documento, a polícia diz que, com o objetivo de contornar restrições de liquidez e exigências do CMN (Conselho Monetário Nacional), a gestão do Banco Master utilizou planilhas eletrônicas para simular a existência de créditos consignados.
Segundo a PF, foram registradas em sistemas internos carteiras de empréstimos sem respaldo em operações reais. Com base nesses dados, o banco emitia CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) sem a documentação comprobatória correspondente.
Assim, tais títulos eram registrados na B3 e repassados ao BRB, resultando na transferência de recursos financeiros para a instituição privada.
A apuração apontou que a cúpula do BRB descumpriu normas internas e diretrizes de controle ao adquirir os referidos ativos. O banco público realizou as aquisições sem promover a auditoria e a checagem da existência física dos devedores ou dos contratos.
Riscos ignorados
Além disso, segundo a PF, as compras de carteiras eram fatiadas em montantes de até R$ 750 milhões, mantendo a deliberação na esfera da Dicol (Diretoria Colegiada) e evitando a submissão ao Consad (Conselho de Administração).
De acordo com a corporação, a diretoria deu continuidade às aquisições mesmo diante de relatórios da área de riscos do BRB que indicavam escassez de liquidez e queda no Índice de Liquidez de Curto Prazo para níveis abaixo dos limites regulatórios.
Diante de pendências operacionais em determinados lotes, a instituição aceitou a substituição dos papéis por novos pacotes de ativos de origem duvidosa, mantendo a exposição financeira do banco público até a intervenção do Banco Central.
Do total de R$ 17,5 bilhões em ativos cedidos ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025, a Polícia Federal identificou que pelo menos R$ 12,2 bilhões correspondiam a operações sem a devida comprovação de existência.
Justificativas inconsistentes
Por fim, a PF diz que, após questionamentos do Banco Central sobre a origem do volume expressivo de ativos, os investigados apresentaram justificativas inconsistentes. Inicialmente, atribuíram os créditos a duas associações de servidores públicos da Bahia (ASTEBA e ASSEBA).
Posteriormente, a origem foi redirecionada à empresa Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A. Perícias técnicas demonstraram que a Tirreno atuava como empresa de fachada (“empresa de prateleira”), sem capacidade operacional, quadro funcional compatível ou movimentação financeira real, operando por meio de conta de repasse no próprio Banco Master.






