PF aponta suspeita de lavagem de dinheiro na compra de imóvel de luxo na Bahia por desembargador aposentado

desembargador Júlio Roberto Siqueira Cardoso | Créditos: Foto: Arquivo/TJMS


A Polícia Federal (PF) identificou indícios de irregularidades na compra de uma propriedade de luxo no litoral da Bahia pelo desembargador aposentado Júlio Roberto Siqueira Cardoso, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). De acordo com as investigações, o imóvel, localizado em um condomínio de alto padrão em Camaçari, teria sido adquirido com o uso expressivo de recursos em espécie, o que levanta suspeitas sobre a origem lícita do montante e possível prática de lavagem de dinheiro.

O caso veio à tona no âmbito da Operação Ultima Ratio, que apura um suposto esquema de negociação de decisões judiciais. Durante buscas realizadas na residência do magistrado em Campo Grande, os agentes apreenderam cerca de R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo. A PF aponta que o valor declarado na escritura da mansão baiana — aproximadamente R$ 1,4 milhão — apresenta discrepâncias em relação aos preços de mercado, sugerindo uma subavaliação deliberada para ocultar o valor real da transação.

Além do imóvel na Bahia, a investigação analisa movimentações financeiras atípicas e o patrimônio imobiliário do desembargador, que se aposentou recentemente. Relatórios apontam que pagamentos de altos valores foram realizados sem o trânsito correspondente em contas bancárias oficiais, dificultando o rastreamento pela fiscalização tributária.

A defesa do magistrado ainda não se pronunciou detalhadamente sobre as acusações específicas de lavagem de dinheiro. O processo segue sob análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já determinou medidas cautelares, incluindo a quebra de sigilo fiscal dos envolvidos para esclarecer a procedência dos fundos utilizados nas aquisições.

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