Perícia vai avaliar mau cheiro de frigorífico da JBS e pode liberar mais de 200 ações de indenização em Campo Grande

| Créditos: REPRODUÇÃO/Investiga MS


Uma perícia técnica deverá investigar a origem e a intensidade do mau cheiro atribuído à unidade frigorífica da JBS, localizada no bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande. O resultado do levantamento será utilizado pela Justiça de Mato Grosso do Sul para embasar a decisão em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual (MPMS).

O problema é relatado pelos moradores há aproximadamente 14 anos. Famílias da região afirmam que o odor interfere diretamente na rotina, dificultando atividades simples, como permanecer com portas e janelas abertas, utilizar quintais e varandas ou receber visitas em casa.

A investigação técnica deverá esclarecer de onde vêm os odores, como eles se espalham pela região e qual é o impacto sobre a qualidade de vida da população. Também será avaliado se as providências adotadas pela JBS são suficientes para eliminar ou reduzir o problema.

A promotora de Justiça Luz Marina Borges Maciel Pinheiro apresentou questionamentos que deverão orientar os trabalhos periciais, buscando reunir informações técnicas para esclarecer a responsabilidade da indústria.

Mais de 200 processos aguardam decisão

O resultado da perícia poderá representar um passo importante para o andamento de mais de 200 ações individuais movidas por moradores contra a JBS. Os processos, que incluem pedidos de indenização por danos morais e prejuízos relacionados à desvalorização dos imóveis, estão suspensos até que a Justiça decida a ação coletiva apresentada pelo Ministério Público.

A suspensão segue entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo o qual processos individuais sobre uma mesma questão podem aguardar o julgamento de uma ação coletiva que trata do problema.

JBS solicita instalação de sensores

A defesa da empresa também pediu autorização para instalar sensores eletroquímicos de alta sensibilidade na unidade industrial. Segundo os advogados, os equipamentos permitiriam obter dados científicos sobre as emissões e demonstrar que as atividades estão dentro dos padrões ambientais exigidos.

O pedido foi apresentado depois que a Justiça determinou a inversão do ônus da prova, atribuindo à própria JBS a responsabilidade de demonstrar que não é responsável pelo mau cheiro denunciado pelos moradores.

Tentativas de acordo não avançaram

Em agosto, uma audiência de conciliação reuniu representantes da JBS e moradores que buscam reparação pelos transtornos. Entretanto, a empresa não apresentou proposta para solucionar a questão.

A indústria argumentou que os processos ainda dependem da produção de provas, perícias e documentos.

Anteriormente, durante investigação conduzida pelo Ministério Público, a JBS também não aceitou firmar um novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), instrumento que poderia estabelecer compromissos e medidas para resolver o problema.

Agora, a conclusão da perícia será fundamental para esclarecer a situação e permitir que a Justiça avance na análise do caso, que envolve centenas de famílias de Campo Grande.

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