Pedidos de recuperação judicial no agronegócio caem mais de 20% no segundo trimestre

| Créditos: Reprodução/Ambiente Legal


Após uma sequência prolongada de altas nos anos anteriores, as solicitações de recuperação judicial no setor agropecuário brasileiro registraram uma queda de 20,7% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Ao todo, foram contabilizados 448 processos entre produtores físicos, jurídicos e empresas ligadas à cadeia produtiva do campo.

Em comparação com os três primeiros meses do ano, quando o total chegou a 474 requerimentos, o recuo foi de 5,5%. A desaceleração interrompe uma trajetória contínua de elevação que vinha sendo registrada no segundo trimestre desde 2023.

Alívio Pontual e Alerta de Custos

A redução no volume de pedidos é atribuída principalmente ao momento de maior entrada de receitas para parte das propriedades, impulsionado pela sazonalidade da safra e pelo avanço em acordos diretos de renegociação com credores.

Apesar desse refresco nos números, especialistas apontam que a situação financeira do agronegócio exige cautela. O ambiente de negócios segue pressionado por fatores como:

Despesas operacionais elevadas: Custos de produção ainda pesam no orçamento dos produtores.

Crédito restrito: Maior seletividade por parte de instituições financeiras na concessão de financiamentos.

Nível de endividamento: Acúmulo de compromissos financeiros de safras anteriores.

A sustentabilidade dessa tendência de queda dependerá do desempenho do setor nos próximos trimestres, sendo o planejamento orçamentário e a preservação do caixa medidas essenciais para evitar a via judicial.

Distribuição Regional dos Processos

O Centro-Oeste e o Sudeste lideram o volume de solicitações no país. O estado do Mato Grosso encabeça a lista com 107 pedidos, respondendo por quase um quarto do total nacional (23,9%).

Estado

Pedidos de Recuperação Judicial

Participação no Total

Mato Grosso

10723,9%

Goiás

8418,8%

São Paulo

7216,1%

Minas Gerais

5412,1%

Paraná

429,4%

Perfil dos Solicitantes

Produtores Pessoas Físicas

A categoria de produtores rurais atuando como pessoa física registrou 197 pedidos, o que representa uma queda de 10,5% em relação aos 220 casos apurados no mesmo período do ano anterior. Embora tenha apresentado recuo, este segue sendo o grupo com a maior fatia das solicitações. Dentro desse segmento, produtores sem propriedade própria (como arrendatários e grupos familiares) somaram 70 requisições, seguidos por grandes proprietários (51), pequenos (39) e médios (37).

Produtores Pessoas Jurídicas

As empresas agrícolas registraram 160 solicitações entre abril e junho, uma retração acentuada de 34,2% ante os 243 pedidos registrados um ano antes. A cultura de soja concentrou a maior fatia dos requerimentos nesse perfil (70 casos), seguida pela pecuária bovina (28), cana-de-açúcar (15), café (13) e cereais (12).

Cadeia de Fornecedores e Serviços

Empresas ligadas aos serviços e insumos do setor contabilizaram 91 pedidos, um recuo de 10,8%. O segmento de serviços de apoio à agropecuária liderou essa lista com 26 processos, acompanhado pelas agroindústrias de transformação primária (20) e pelo comércio atacadista de produtos primários (18).

Com CNN

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