Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos sobre viabilidade de ajuste fiscal de R$ 200 bilhões

Desmontando ponto a ponto a lorota de Flávio na Globo sobre o ajuste fiscal | Créditos: Reprodução/Metrópoles


O plano econômico apresentado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta questionamentos sobre a viabilidade de promover uma redução de aproximadamente R$ 200 bilhões nas despesas públicas sem comprometer benefícios sociais, aposentadorias e investimentos em áreas essenciais.

Durante entrevista à TV Globo, Flávio afirmou que pretende preservar o reajuste do salário mínimo acima da inflação, manter os pisos constitucionais de saúde e educação e não retirar direitos dos aposentados. Também negou que pretenda privatizar empresas como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras.

A principal dúvida está em como alcançar a economia prometida sem adotar medidas que contrariem esses compromissos.

Propostas de arrecadação também são questionadas

Na entrevista conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, Flávio Bolsonaro citou a redução de pelo menos dez ministérios, o combate à corrupção e a melhoria da gestão das empresas estatais como medidas para diminuir despesas.

O candidato também mencionou a possibilidade de arrecadar recursos com imóveis da União e com a antecipação de valores de dívidas que o governo tem a receber. Entretanto, a estimativa de obter R$ 200 bilhões com imóveis públicos foi questionada, pois o valor apresentado corresponde ao patrimônio imobiliário federal em sua totalidade, e não apenas a propriedades desocupadas.

Outro ponto levantado envolve a exploração de petróleo na Margem Equatorial, na região próxima ao Amapá. A atividade ainda depende de etapas de prospecção e desenvolvimento, o que impede considerar os royalties como uma fonte imediata de recursos. A previsão mencionada para uma eventual geração de receitas com produção comercial é a partir de 2033.

Falta de detalhamento mantém dúvidas sobre o plano

O principal desafio da proposta é demonstrar como o governo conseguiria economizar centenas de bilhões de reais sem reduzir despesas obrigatórias ou alterar regras que protegem benefícios sociais e investimentos públicos.

A redução de ministérios, isoladamente, não seria suficiente para alcançar a meta anunciada. Além disso, a venda de patrimônio e a antecipação de recebíveis geram recursos pontuais, diferentemente de economias permanentes necessárias para equilibrar as contas públicas.

Com isso, o programa econômico de Flávio Bolsonaro permanece sob questionamento quanto à origem dos recursos, à dimensão efetiva dos cortes e aos possíveis impactos para a população.

Com Metrópole

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