Parlamento Europeu suspende ratificação de acordo comercial com os EUA após tensão envolvendo Groenlândia

| Créditos: Francis Chung/EPA/EFE/Pool

O Parlamento Europeu decidiu suspender formalmente, nesta quarta-feira (21), o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos. A medida foi adotada em reação às ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, que havia condicionado a continuidade do acordo à aceitação, por parte do bloco europeu, de que Washington assumisse o controle da Groenlândia, sob pena de impor tarifas de 10% sobre exportações europeias.

A decisão representou a resposta mais contundente da União Europeia até o momento diante do que líderes do bloco classificaram como uma tentativa de chantagem política. O presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, afirmou que não haverá qualquer avanço na ratificação enquanto persistirem ameaças relacionadas à Groenlândia.

Ainda nesta quarta-feira, no entanto, Trump recuou da imposição das tarifas e anunciou que pretende tratar a questão da Groenlândia no âmbito da Otan. Em publicação nas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos afirmou que a mudança de postura ocorreu após reunião com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte, quando ambos teriam acordado um cronograma para negociação do tema.

Apesar do recuo americano, a suspensão do acordo comercial permanece. O tratado prevê uma nova fase de tarifas zero para diversas exportações industriais entre os dois lados do Atlântico. Segundo Bernd Lange, a decisão do Parlamento Europeu não afeta o compromisso da União Europeia de adquirir US$ 750 bilhões em energia dos Estados Unidos, já que esse entendimento faz parte de um acordo separado.

Antes da mudança de posição de Trump, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chegou a cancelar compromissos internacionais para retornar a Bruxelas e organizar uma cúpula de emergência. O objetivo era discutir possíveis respostas caso as tarifas fossem efetivamente aplicadas. Entre as opções avaliadas estavam a imposição de tarifas de até 93 bilhões de euros sobre produtos americanos e a ativação de um instrumento anticoerção, mecanismo ainda inédito no bloco.

A presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu, Iratxe García Pérez, também criticou duramente a postura dos Estados Unidos. Para ela, a União Europeia dispõe de força econômica, comercial e política suficiente para reagir de forma firme. Na ocasião, defendeu a suspensão das negociações comerciais, o acionamento do instrumento anticoerção e o reforço da presença militar na Groenlândia.

Mesmo com o anúncio de Trump de que pretende negociar a questão no âmbito da Otan, o episódio elevou o nível de tensão entre União Europeia e Estados Unidos e evidenciou o endurecimento do discurso europeu diante de pressões externas envolvendo soberania territorial e política comercial.

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