Operação Ligação Familiar: Investigado por grupo de contrabando movimenta R$ 290 Milhões e debocha de fiscalização

| Créditos: Foto: Clara Farias


Um dos alvos da Operação Ligação Familiar deflagrada nesta sexta-feira (3), em Campo Grande, Renier de Souza Pinheiro, já publicou vídeos nas redes sociais zombando da Receita Federal. A operação investiga um grupo de amigos e familiares da Capital e de Ribas do Rio Pardo suspeito de contrabando de eletrônicos, com faturamento estimado em R$ 290 milhões em cinco anos.

Além de Renier, são investigados Renan de Souza Pinheiro, Marcos Freire Junior, Wanderson Lorais Salviano da Silva e Dyegho Magno Miranda Amarilho.

Deboche e Consciência dos Riscos

Em um dos vídeos compartilhados por Renier, que investiga o contrabando de celulares, o investigado filma uma grande quantia de dinheiro no banco do passageiro com a descrição irônica: "Minha mãe me liga falando que a FEDERAL tá lá em casa me esperando".

Em outra gravação, Renier discutiu abertamente sobre o comércio de celulares e os riscos do ramo. Ele mencionou a prática de emissão de "notas de saídas" para auxiliar na operação e alertou empresários sobre as perdas e a possibilidade de ações da Receita Federal.

"Se você quer comprar celular achando que não vai correr risco, muda de ramo... Nem sempre a gente vai só ganhar, a gente também tem que perder," afirmou.

O investigado também reconheceu a ilegalidade da venda de celulares sem a devida nota de importação, citando que a Receita Federal pode prender quem pratica a comercialização. "Infelizmente, a Receita Federal pode prender sim porque precisa de nota de importação para que esses produtos possam ser comercializados no Brasil. Então, nós não temos nota de importação," disse Renier.

Detalhes da Operação Ligação Familiar

A Receita Federal informou que a Operação Ligação Familiar identificou o grupo atuando na venda de mercadorias estrangeiras, principalmente celulares de alto valor, introduzidas de forma irregular no país. A investigação aponta que os empresários teriam criado empresas para dar aparência de legalidade às atividades ilícitas, utilizando-se de "notas frias" para acobertar o transporte e a comercialização dos produtos.

No período de janeiro de 2020 a abril de 2025, as empresas investigadas emitiram mais de R$ 18 milhões em notas fiscais de vendas e apresentaram uma movimentação financeira total de cerca de R$ 290 milhões. No cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram encontradas joias e relógios de alto valor.

Segundo a Receita, as informações fiscais dos sócios indicam movimentação financeira incompatível, ocultação de renda e patrimônio, enriquecimento ilícito e indícios de fraudes tributárias.

A operação cumpre 10 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul. Os envolvidos podem responder pelos crimes de descaminho e lavagem de dinheiro. A ação conta com a participação de Auditores-Fiscais, Analistas-Tributários da Receita Federal e policiais federais.

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