Operação do Gaeco evidencia disputa entre as famílias Name e Razuk pela loteria estadual

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A quarta fase da Operação Successione, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), trouxe à luz uma intensa rivalidade entre as famílias Name e Razuk, clãs tradicionalmente ligados à exploração do jogo do bicho, pela concessão da Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul), um contrato avaliado em R$ 1,4 bilhão de receita anual.

Os dois grupos, historicamente ligados ao crime organizado, tentaram contestar o edital da licitação da Lotesul, alegando que o texto estaria direcionado para favorecer uma empresa específica. Enquanto Jamil Name Filho, condenado e figura central da Operação Omertà, apresentou seu pedido de impugnação formalmente por meio de sua defesa, a família Razuk é investigada por supostamente ter criado uma empresa de fachada – a Criativa Technology LTDA, com sede em Dourados – em nome de um "laranja" (Sérgio Donizete Balthazar) para participar do certame. Documentos da investigação apontam que Jorge Razuk utilizava pessoalmente a linha telefônica registrada em nome do suposto empresário.

A licitação milionária, que prometia reativar a Lotesul com uma concessão de até 35 anos, foi paralisada após as contestações, e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) posteriormente identificou violações nos princípios legais do edital.

Estrutura Criminosa e Polícia Cooptada

A operação mirou familiares e empresários próximos ao deputado estadual Roberto Razuk Filho (Neno Razuk), resultando em 20 prisões preventivas e 27 mandados de busca e apreensão cumpridos em Mato Grosso do Sul e outros estados. Foram apreendidos mais de R$ 300 mil em espécie, além de armas e materiais ligados ao jogo do bicho.

O inquérito do Gaeco também detalhou a atuação de um sofisticado esquema de "inteligência paralela" mantido pela organização Razuk. O sistema cooptava oficiais da Polícia Militar, incluindo um Major e um Sargento, que são acusados de utilizar sistemas restritos de consulta policial (SIGO e INFOSEG) para levantar dados de desafetos e vítimas de extorsão. Áudios interceptados indicam, inclusive, que os policiais envolvidos negociavam propina com autoridades paraguaias para a soltura de um comparsa.

A investigação sugere que o grupo Razuk intensificou suas práticas criminosas em Campo Grande após a prisão de Jamil Name Filho, buscando expandir sua influência para além da região de Dourados e, inclusive, para outros estados como Goiás.

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