
| Créditos: Foto: Igo Estrela/Metrópoles
Simone Tebet (MDB-MS) já foi sinônimo de vitória certa em Mato Grosso do Sul. Campeã de votos em eleições passadas, a hoje ministra do governo Lula se vê diante de um paradoxo: quanto mais se consolida no cenário nacional, mais arriscada se torna sua reconquista do eleitorado sul-mato-grossense. O estado, de perfil conservador e com forte rejeição ao petismo, parece ser um terreno cada vez mais hostil para sua candidatura ao Senado.
Sua trajetória no estado foi construída com discursos técnicos e uma imagem moderada, conquistando tanto o centro quanto parte da direita. Mas a política é um jogo de lealdades, e sua associação ao governo federal a coloca em um dilema: como manter o apoio de quem a elegeu no passado se, hoje, seu nome é recebido com desconfiança nas redes sociais e nos círculos políticos locais?
Nas ruas e nas plataformas digitais, o eco é claro: muitos dos que antes a viam como uma alternativa agora a enxergam como "aliada de Lula". O Mato Grosso do Sul elegeu Bolsonaro em 2022, reelegeu governadores de centro-direita e, nos bastidores, já articula nomes para enfrentá-la. Se antes sua vitória parecia uma questão de tempo, hoje há quem duvide até de sua capacidade de vencer uma eleição municipal.
Para Tebet, o caminho até o Senado exige mais do que currículo—exige uma reinvenção. Será preciso equilibrar sua atuação como ministra com um discurso que não soe como contradição aos olhos do eleitor conservador. Ou, quem sabe, apostar todas as fichas na ideia de que sua experiência a torna indispensável, independentemente de siglas.
Mas e se o Senado não for mais seu único destino? Em um cenário onde sua base local parece escorrer entre os dedos, será que a saída para a ministra não perder relevância política seria mirar ainda mais alto—como uma eventual candidatura a vice-presidente na chapa de Lula em 2026? Assim, ela trocaria uma disputa estadual incerta por um projeto nacional, mantendo seu poder mesmo se o Mato Grosso do Sul lhe virar as costas.
Uma coisa é certa: sua travessia será longa e cheia de obstáculos. Se vencer no estado, será uma lição de estratégia política. Se perder, servirá de alerta para quem acredita que alianças nacionais não têm custos locais. Enquanto isso, o Mato Grosso do Sul observa—e o tempo dirá se Simone Tebet ainda é a campeã de votos de outrora, se encontrará abrigo em um projeto maior no Planalto, ou se seu momento político já passou.
Por Alcina Reis







