Aeroporto de Inocência é alvo do MP por danos ambientais durante obra
- porRedação
- 03 de Agosto / 2025
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| Créditos: Foto: Saul Schramm
O aeroporto de Inocência, inaugurado oficialmente em 9 de abril com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, está sob investigação do Ministério Público estadual devido a uma erosão e assoreamento no Córrego Cassimiro, próximo ao local das obras. A construtora Avance, responsável pelo empreendimento de R$ 19 milhões, foi multada em R$ 100,5 mil pela Polícia Militar Ambiental em dezembro do ano passado por supostos crimes ambientais.
Segundo a denúncia, a empresa não construiu barreiras de contenção para as águas da chuva, causando uma grande erosão que despejou centenas de toneladas de areia no córrego. Além disso, a Avance captava água do local sem autorização ambiental. A construtora se defende, alegando que o córrego está a mais de 500 metros da obra e que as chuvas intensas na região — cerca de 500 mm entre outubro e dezembro — seriam a causa do problema. No entanto, o volume pluviométrico não difere significativamente da média histórica.
Imagens da investigação mostram que a erosão começou às margens da pista e seguiu por cerca de 500 metros até atingir o córrego, seguindo o mesmo trajeto usado por veículos da obra. O Ministério Público questiona por que a prefeitura, responsável pelo aeroporto, não fiscalizou adequadamente a construção. O prefeito Toninho da Cofap (Antônio Ângelo Garcia) afirmou que a obra foi licitada e custeada pelo governo estadual, isentando o município de responsabilidade.
Contrapartida para a maior fábrica de celulose do mundo
O aeroporto foi construído como parte de um acordo para viabilizar a instalação da fábrica da chilena Arauco, que deve ser a maior produtora de celulose do mundo, com capacidade para 3,8 milhões de toneladas por ano. O empreendimento, orçado em US$ 4,6 bilhões, deve gerar até 14 mil empregos temporários em Inocência, cidade com apenas 8,5 mil habitantes.
A fábrica está sendo erguida às margens do Rio Sucuriú, que recebeu parte da areia proveniente do assoreamento do Córrego Cassimiro. Enquanto isso, a promotoria busca definir quem será responsável pela recuperação ambiental da área.
Caso semelhante em terminal da Suzano
Nas proximidades, outro dano ambiental foi registrado: o terminal intermodal da Suzano, construído para escoar celulose produzida em Ribas do Rio Pardo, também causou assoreamento em açudes e cursos d’água. Assim como no caso do aeroporto, a empresa se recusa a reparar os danos, levando uma moradora idosa a buscar na Justiça o restabelecimento de seu abastecimento de água potável.






