“O TRAD que Desafia a Própria TRADição”
- porAlcina Reis
- 14 de Dezembro / 2025
- Leitura: em 5 segundos

| Créditos: Reprodução/ESD - Escola Sul-Mato-Grossense de Direito
No tabuleiro sempre instável da política sul-mato-grossense, onde sobrenomes pesam e histórias familiares costumam definir caminhos, um nome volta a ganhar força de maneira nada convencional: Fábio Trad. E não se trata apenas de “mais um nome” cogitado para a disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul em 2026. Trata-se de alguém que desafia expectativas, rompe alinhamentos históricos e chama atenção justamente por caminhar na contramão do que o próprio sobrenome costuma representar.
Advogado, professor universitário e ex-deputado federal, Fábio construiu ao longo de sua trajetória parlamentar a imagem de político técnico, discreto e comprometido com o mandato. No Congresso, destacou-se pelo perfil independente, pela atuação em comissões relevantes e pelo reconhecimento como um dos deputados mais atuantes do Estado, longe do espetáculo fácil, mas próximo do trabalho consistente.
Esse percurso o diferencia, inclusive, dentro da própria família. Enquanto os irmãos, Marquinhos e Nelson Trad, consolidaram carreiras alinhadas à direita e a campos mais conservadores da política, Fábio seguiu outro roteiro. Filiado ao PT, mantém coerência com o discurso que passou a adotar de forma ainda mais enfática após deixar cargos públicos: defesa da democracia, das instituições, dos direitos sociais e críticas abertas aos excessos da polarização e do autoritarismo.
Durante esse período afastado do mandato, Fábio não saiu de cena. Pelo contrário. As redes sociais tornaram-se seu principal palanque. Vídeos diretos, posicionamentos firmes e análises políticas fizeram crescer, de forma significativa, uma base de seguidores que acompanha cada publicação com atenção quase militante. O salto de engajamento foi imediato quando ele mencionou, ainda de forma cautelosa, a possibilidade de disputar o governo em 2026.
O cenário eleitoral, por ora, ainda favorece o governador Eduardo Riedel (PP), que lidera com folga as pesquisas e aparece com cerca de 40% das intenções de voto. Mesmo assim, a pulverização de candidaturas abre espaço para um segundo turno — e é justamente aí que o nome de Fábio Trad surge como uma alternativa viável, já alcançando cerca de 17% e em trajetória de crescimento.
Em política, no entanto, não existe vitória antecipada. O famoso “já ganhou” costuma ser o primeiro erro de quem subestima o adversário. Como ensina a sabedoria popular, prudência e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém. O jogo está apenas começando, as peças ainda estão sendo movimentadas e o eleitor, como sempre, terá a palavra final.
Seja como candidato ou como voz ativa no debate público, Fábio Trad já deixou claro que não pretende ser figurante. Ao romper com a tradição familiar e apostar em um discurso alinhado à coerência e à constância, ele se coloca como um fator novo em uma disputa que promete ser tudo, menos previsível.
Por Alcina Reis

Jornalista Alcina Reis | Créditos: Conteúdo MS






