O Retorno do “Italiano”: Memórias, Palanques e o Frisson em Campo Grande
- porAlcina Reis
- 18 de Março / 2026
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Se você circulou pelos cafés da Rua 14 de Julho ou pelos corredores da Assembleia Legislativa nestes últimos dias, certamente ouviu um nome repetido à exaustão. Não se fala em outra coisa em Campo Grande: o lançamento do livro de memórias de André Puccinelli. O ex-governador, mestre na arte de manter o holofote aceso, provou que, mesmo sem mandato, continua sendo o fiel da balança das conversas políticas.
O burburinho ganhou contornos de confirmação oficial quando resolvi acionar o "Doutor André". Com o pragmatismo de sempre, ele não só confirmou o evento para o dia 26 de março, como já antecipou o tamanho da festa: a lista de presença já ultrapassa os mil confirmados. E um detalhe que acorda o interesse até do mais cético dos opositores: os exemplares serão distribuídos gratuitamente.
Uma Trilogia de Poder e História
O que se verá no dia 26 é apenas o primeiro ato de uma trilogia planejada para passar a limpo décadas de vida pública. Este volume inicial foca no período em que Puccinelli deu as cartas na Capital, narrando sua gestão como prefeito entre 1997 e 2005. É um mergulho no "Como Administrei Campo Grande", título que serve tanto como registro histórico quanto como um sutil lembrete de sua capacidade executiva.
Mas o projeto literário do emedebista é ambicioso:
O Segundo Ato: Promete ser o mais pessoal, resgatando as origens em Viareggio, na Itália, a chegada ao Brasil ainda menino e os primeiros passos na medicina antes do "vírus" da política o morder de vez.
O Grand Finale: O terceiro livro deve fechar o arco de sua trajetória, passando pelos mandatos de deputado e, claro, pelos oito anos em que comandou o Parque dos Poderes como governador de Mato Grosso do Sul.
O Carisma que não Aposenta
Para quem achava que o ex-governador estava pronto para o pijama, o movimento das últimas semanas indica o contrário. Ao pleitear agora uma cadeira no Legislativo estadual, Puccinelli usa o lançamento do livro não apenas como um evento cultural, mas como uma demonstração de força.
O carisma, ao que tudo indica, segue em alta. Entre uma dedicatória e outra, André vai costurando o futuro com as linhas do passado. Resta saber se o número de eleitores nas urnas acompanhará o sucesso da lista de convidados da noite de autógrafos.
E, pelo visto, em Campo Grande, a política — mais uma vez — encontra na memória um caminho para voltar ao presente.
Por Alcina Reis






