“O Pantaneira de Meio Milhão”

| Créditos: IA /Conteúdo MS


Dizem que em tempos de vacas magras é preciso cortar o supérfluo, apertar o cinto e economizar até no cafezinho. Mas em Mato Grosso do Sul, parece que a tesoura da austeridade só corta onde dói no bolso do servidor e do contribuinte. Para abrir a 1ª Bienal do Pantanal, o governo anunciou um presente: show de Almir Sater por módicos R$ 250 mil. Dinheiro público, claro.

Não é a primeira vez. Duas semanas antes, o mesmo violeiro já havia afinado as cordas no Forte Coimbra, também por R$ 250 mil. Em 14 dias, meio milhão saiu do caixa estadual, que anda em crise, mas tem sempre um troco para um cachê. 

Se a viola chora, o cofre do contribuinte soluça.

Enquanto isso, secretarias reduzem viagens, diárias e até papel sulfite. Mas para o palco, não faltam refletores. Em abril, Luísa Sonza levou R$ 450 mil no projeto “MS ao Vivo”. Na Marcha para Jesus, Antônio Cirilo recebeu R$ 90 mil. E em Paranaíba, shows de Ana Castela e Zé Neto & Cristiano engoliram R$ 1,6 milhão — quase mais que a arrecadação de alguns municípios pequenos.

O curioso é que a conta da contenção não chega ao camarim. O povo aperta o cinto, mas o Estado desafina: corta na saúde, na educação, na segurança, mas sempre encontra verba para uma boa cantoria. Talvez seja essa a verdadeira política cultural: embalar a crise em melodia, para que o contribuinte esqueça que é ele quem paga a orquestra.

E assim, no palco da austeridade seletiva, Mato Grosso do Sul apresenta seu novo personagem: “O Pantaneira de Meio Milhão.”

Por Alcina Reis

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