“O Monarca do Vilarejo”

| Créditos: IA /Conteúdo MS


Hoje não temos crônicas, nem editoriais, e muito menos opiniões.
O que temos é apenas um conto — fictício, criado pela imaginação* — sobre alguém que pode ou não existir.
Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.


O conto de Álvaro Menezes, o Gestor-Chefe do Reino das Sombras

Havia um homem chamado Álvaro Menezes, gestor municipal de um pequeno vilarejo escondido entre morros avermelhados. Para o público, era simpático, cordial, cheio de discursos prontos e promessas cuidadosamente ensaiadas. Mas, dentro de si, guardava ambições bem mais grandiosas do que qualquer cargo poderia lhe oferecer.

A chance veio quando comprou uma fazenda de R$ 20 milhões, uma imensidão de terra onde o vento parecia sussurrar segredos. Ali, ergueu seu “reino particular”. A antiga casa rural foi demolida sem cerimônia, e no lugar nasceu uma mansão de vidros espelhados, colunas exuberantes e uma piscina que refletia o céu como se fosse um lago divino.

No centro da propriedade, havia ainda um escritório luxuoso que ele chamava de “Gabinete de Planejamento”, onde dizia pensar no futuro do povo. A verdade, porém, era que ali se desenhavam apenas os planos do próprio Álvaro.


Os súditos sem bandeira

Trabalhando no vasto território da fazenda existiam homens e mulheres que carregavam histórias marcadas pela dureza da vida. Muitos eram doentes, exaustos e sem qualquer perspectiva de melhora. Outros simplesmente permaneciam porque não tinham para onde ir.

Chamavam-nos de súditos sem bandeira, pois serviam a um reino que jamais os reconheceria como gente.
E Álvaro sabia disso. E se beneficiava disso.

Enquanto o gestor deslizava pelos corredores de mármore da mansão, seus trabalhadores cruzavam trilhas de poeira, alojamentos improvisados e dias que pareciam nunca terminar.


O gestor que se achava rei

No vilarejo, Álvaro Menezes era o gestor municipal. Assinava decretos, cortava fitas, posava para fotos e repetia frases que pareciam ensaiadas diante do espelho. Era autoridade, figura pública, “líder”.

Mas na fazenda, era rei.

Tratava seus empregados como servos, a propriedade como reino e a piscina como o trono líquido onde banhava o próprio ego.
Fechava os olhos para tudo — para as dores, para as necessidades, para a poeira que engolia vidas inteiras.

Até o dia em que, ao cruzar um corredor espelhado demais, viu algo que não esperava: o reflexo de um homem pequeno dentro de um império grande demais.

Desviou o olhar rapidamente, como quem teme encarar a própria sombra.


E o reino segue… por enquanto

A fazenda continua imensa.
A mansão permanece brilhante.
A piscina segue azul.
Os súditos ainda resistem na sombra.

E Álvaro Menezes?
Continua acreditando que governa um reino intocável.

Mas esta história — ao contrário do que ele imagina — não acaba aqui.
Ainda existem capítulos que não foram escritos, páginas que aguardam o peso da verdade e dias que trarão aquilo que nenhum rei das sombras consegue evitar:

o encontro inevitável com a Justiça.

Porque, nos contos ou na vida, toda sombra um dia encontra a luz.


Qualquer semelhança com a vida real é — e sempre será — mera coincidência.

Por Alcina Reis

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